Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã nesta terça-feira (7), em resposta a ataques contra três navios comerciais na região do Estreito de Ormuz, uma das passagens mais estratégicas para o comércio global de energia. A ofensiva foi acompanhada da revogação de uma licença temporária que permitia a exportação de petróleo iraniano, ampliando a tensão no Oriente Médio e colocando novamente em risco o cessar-fogo na região.
Segundo o Comando Central dos EUA, os ataques tiveram como objetivo impor “custos pesados” ao Irã pelo que Washington classificou como agressões contra tripulações civis em uma via navegável internacional. A autoridade militar americana afirmou que os incidentes representaram uma violação clara do cessar-fogo.
Ataques em Ormuz
De acordo com a agência britânica UKMTO, três embarcações foram atingidas nas últimas 24 horas no Estreito de Ormuz. Dois navios sofreram danos provocados por projéteis não identificados, com incêndios e danos estruturais. Em um terceiro caso, a tripulação relatou estragos menores causados por um drone. Não há registro de feridos.
A imprensa estatal iraniana relatou explosões em Bandar Abbas, cidade portuária no sul do Irã, e na Ilha de Qeshm, localizada na entrada do Estreito de Ormuz e considerada uma área estratégica para as forças iranianas, especialmente as ligadas à Guarda Revolucionária.
Reação dos países do Golfo
O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque contra um navio que transportava gás liquefeito próximo à costa de Omã. O governo catari convocou o vice-embaixador iraniano e exigiu que Teerã cesse práticas que coloquem em risco a segurança regional, a navegação internacional e o fornecimento global de energia.
A Arábia Saudita também afirmou que uma de suas embarcações foi atingida na região e pediu que o Irã interrompa ações que ameacem a navegação marítima internacional.
Sanções retomadas
Horas antes da ação militar, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a retomada das sanções contra o petróleo iraniano. A suspensão temporária havia sido adotada no mês passado como parte das negociações entre Washington e Teerã.
Em comunicado, o órgão afirmou que o Irã “só colherá benefícios se demonstrar boa conduta” e classificou as ações no Estreito de Ormuz como “totalmente inaceitáveis”.
Petróleo em alta
A nova escalada teve reflexo imediato no mercado internacional. O barril do petróleo Brent, com entrega em setembro, fechou em alta de 3,01%, a US$ 74,16. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 2,76%, para US$ 70,44.
Negociações ameaçadas
Os incidentes ocorrem em meio a um período de negociações entre Estados Unidos e Irã para tentar transformar o cessar-fogo em um acordo definitivo de paz. Até agora, as conversas não apresentaram avanços concretos.
O Irã não assumiu a autoria dos ataques. O Ministério das Relações Exteriores chamou as acusações do Catar de “desconcertantes” e afirmou que o país está comprometido com a segurança da navegação na região. Em outra declaração, porém, Teerã disse que navios que utilizam rotas “não coordenadas” em Ormuz se expõem a riscos.
A diplomacia iraniana também acusou os Estados Unidos de violarem o memorando de entendimento firmado no ano passado ao retomarem as sanções sobre o petróleo.






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