A trégua firmada entre Estados Unidos e Irã voltou a ser colocada em xeque neste sábado (27), após uma nova troca de ataques militares que aumentou a tensão no Golfo Pérsico e reacendeu o temor de uma escalada no conflito. As Forças Armadas dos EUA confirmaram que realizaram bombardeios contra diversos alvos iranianos por determinação do presidente Donald Trump, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases militares estadunidenses na região.
A ofensiva acontece apenas dez dias depois da assinatura de um acordo de cessar-fogo que previa o “encerramento imediato e permanente das operações militares” e estabelecia o compromisso de ambas as partes de “abster-se da ameaça ou do uso da força” uma contra a outra.
Apesar da tentativa diplomática de reduzir as hostilidades, os acontecimentos das últimas horas indicam um novo agravamento da crise.
Estados Unidos acusam Irã de romper acordo
Em publicação na rede social X, as Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram que a ofensiva foi uma resposta às ações iranianas registradas ao longo do dia.
Segundo o comunicado, o Irã “teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo”, mas “optou por não fazê-lo” depois que forças iranianas atacaram uma embarcação nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Até o momento, o governo iraniano não havia divulgado uma resposta oficial sobre os bombardeios dos EUA.
Horas depois, Donald Trump voltou a acusar Teerã de descumprir os termos da trégua e fez um novo alerta por meio da rede Truth Social.
“É muito provável que eles nunca aprendam a lição. É possível que, um dia, já não possamos agir com prudência e sejamos obrigados a concluir, por meio da força militar, a missão que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir”, disse o presidente.
Irã reage com ataques a bases estadunidenses
Após os bombardeios dos EUA, o Irã respondeu com ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, ampliando o alcance do confronto para outros países do Golfo.
Mais cedo, Teerã também lançou drones contra o território do Bahrein e realizou uma ofensiva nas proximidades do Estreito de Ormuz, em uma ação interpretada como resposta aos ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos durante a madrugada.
O governo do Bahrein informou que “vários drones iranianos” atingiram o país e classificou a ofensiva como uma “ameaça flagrante à segurança de cidadãos e residentes”.
Já a agência estatal iraniana IRNA informou que a Guarda Revolucionária atingiu posições ligadas ao “exército terrorista dos EUA na região”, sem divulgar detalhes sobre os alvos atingidos.
O Comando Central dos Estados Unidos declarou que seus bombardeios destruíram instalações utilizadas para lançamento de mísseis e drones, além de sistemas de radar costeiro iranianos.
Estreito de Ormuz volta ao centro da crise
O Estreito de Ormuz permanece como um dos principais focos de preocupação internacional diante da nova escalada militar.
A passagem marítima é considerada uma das rotas estratégicas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural, tornando qualquer ameaça à navegação um fator de impacto para o comércio global e para os mercados internacionais de energia.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o governo iraniano deveria “atender o telefone” caso existam divergências sobre o cumprimento do cessar-fogo.
Segundo ele, “a violência será respondida com violência”.
Washington e Teerã seguem negociando os termos de um acordo definitivo, que inclui regras para a circulação de embarcações pelo estreito e discussões sobre o futuro do programa nuclear iraniano.
O entendimento provisório prevê um prazo de 60 dias para que as partes avancem nas negociações. O encerramento das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, grupo aliado do Irã no Líbano, também integra as tratativas diplomáticas.
Petroleiro é atacado e navegação entra em alerta
A instabilidade no Golfo Pérsico voltou a afetar a navegação comercial.
O centro britânico de Operações de Comércio Marítimo informou que um petroleiro foi atacado no Estreito de Ormuz. Apesar da ofensiva, a tripulação permaneceu em segurança e não foram registrados danos ambientais.
Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque, embora autoridades acompanhem suspeitas de envolvimento iraniano.
Diante do aumento dos riscos, o Centro de Informações Marítimas ligado à Marinha dos Estados Unidos anunciou a ampliação de uma rota marítima próxima ao litoral de Omã para facilitar a entrada e saída de embarcações da região.
O Irã voltou a defender que os navios cumpram regras estabelecidas por Teerã para transitar pelo estreito e já havia ameaçado cobrar taxas pela passagem. A exigência, entretanto, é rejeitada pelos Estados Unidos e por países do Golfo, que consideram a área uma via internacional de livre navegação.
O centro marítimo também classificou como “substancial” o risco para embarcações que cruzam a região, alertando para a possibilidade de minas navais e para o aumento da presença militar.
A Organização Marítima Internacional informou que suspendeu temporariamente uma operação destinada à retirada de embarcações da área e que só retomará a iniciativa quando houver condições adequadas de segurança. Segundo o órgão, aproximadamente 115 navios conseguiram deixar o Estreito de Ormuz nos últimos dias, antes da intensificação das hostilidades.






Deixe um comentário