Michelle amplia crise no PL e disputa pela vice de Flávio Bolsonaro expõe racha interno

Resistências ao nome de Daniella Marques, divergências entre aliados e pressões de diferentes grupos políticos intensificam a disputa pela vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL)

A definição de quem ocupará a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se um dos principais focos de disputa nos bastidores da campanha do senador. Embora Flávio tenha afirmado publicamente que pretende escolher uma mulher para compor a chapa, a decisão vem sendo marcada por divergências internas entre integrantes do PL, do Republicanos e aliados políticos.

O nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, apontada como uma das principais cotadas, passou a enfrentar resistências dentro das duas legendas, ampliando o chamado “fogo amigo” em torno da pré-campanha.

Daniella Marques divide opiniões

Integrante da equipe econômica do ex-ministro Paulo Guedes durante o governo Jair Bolsonaro, Daniella Marques ganhou protagonismo na campanha ao coordenar a elaboração do programa econômico de Flávio Bolsonaro.

Ela também está à frente do projeto “Brasil por Elas”, iniciativa voltada ao eleitorado feminino que deverá ser apresentada no próximo dia 15. A estratégia busca ampliar o diálogo com as mulheres, que representam mais da metade do eleitorado brasileiro.

Apesar disso, aliados avaliam que sua passagem pelo Conselho de Administração do Banco Digimais poderá ser explorada politicamente pelos adversários. A instituição financeira foi alvo de uma operação da Polícia Federal no mês passado, que investiga supostas fraudes contra o sistema financeiro.

Segundo a coluna, Daniella integrou o conselho do banco entre 2024 e 2025, período em que o Banco Central buscava reforçar a gestão da instituição com profissionais experientes. Ela deixou o cargo posteriormente e, conforme a publicação, não é investigada pela Polícia Federal.

Pressão por outro nome

De acordo com os bastidores, setores do PL e do Centrão passaram a defender que Flávio Bolsonaro escolha outra candidata para a vice-presidência.

A avaliação desses grupos é que a campanha precisa produzir um fato político positivo após os recentes episódios envolvendo Michelle Bolsonaro e as discussões sobre a estratégia eleitoral do senador.

Embora Flávio tenha reafirmado que sua vice será uma mulher, diferentes alas do partido sugerem nomes alternativos para a composição da chapa.

Republicanos ganha protagonismo

As articulações também envolvem o Republicanos, partido ao qual Daniella Marques se filiou recentemente.

A legenda é considerada estratégica para a disputa presidencial por reunir lideranças que apoiam Flávio Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e também políticos alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante as negociações, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, afirmou à colunista que o apoio da legenda ao PL dependerá, antes, do respaldo aos candidatos do partido aos governos estaduais de Mato Grosso, Espírito Santo, Acre e Roraima.

Outros nomes entram no radar

Nos bastidores, dirigentes do PL também passaram a defender o nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa para ocupar a vaga de vice. Segundo a publicação, ela era a preferência de Michelle Bolsonaro para disputar o Senado pelo Ceará.

Outro grupo de aliados menciona a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como alternativa, embora a parlamentar já tenha informado que não pretende disputar a vice-presidência.

Enquanto isso, Michelle Bolsonaro segue participando de agendas políticas e religiosas e, segundo a coluna, continua atuando politicamente em meio às discussões sobre os rumos da campanha presidencial.

Disputa continua aberta

Apesar de Flávio Bolsonaro manter o compromisso de anunciar uma mulher para a vice, a escolha ainda está longe de um consenso entre os aliados.

As negociações envolvem fatores eleitorais, alianças partidárias e estratégias para fortalecer a campanha diante de um cenário político considerado desafiador pelos próprios integrantes da coligação.

Segundo informações publicadas pela colunista Roseann Kennedy, do Estadão, os bastidores da campanha permanecem marcados por divergências sobre o nome que deverá integrar a chapa presidencial do senador.

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