A Justiça Eleitoral confirmou nesta segunda-feira (25) a filiação da economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques Cosentino, ao Republicanos após um erro administrativo do partido quase inviabilizar seus planos políticos para as eleições de 2026.
A decisão reconheceu que Daniella havia se filiado regularmente à legenda em 4 de abril deste ano, mas o Republicanos não registrou o nome dela no sistema FILIA, da Justiça Eleitoral, dentro do prazo exigido pela legislação. Sem esse registro oficial, a filiação poderia não ser validada pela Justiça, o que colocaria em risco eventuais projetos eleitorais da economista.
A sentença foi proferida pela juíza eleitoral Simone Gastesi Chevrand, da 119ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro.
A movimentação política de Daniella Marques ocorre em meio às articulações da direita e da centro-direita para as eleições presidenciais de 2026. Nos bastidores, o nome dela vinha sendo citado para compor uma possível chapa presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inicialmente como candidata a vice-presidente. Outra hipótese discutida por aliados seria sua indicação para o Ministério da Fazenda em um eventual governo ligado ao grupo bolsonarista.
Apesar da proximidade política com o núcleo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o nome de Daniella enfrenta resistência de setores do Centrão e de lideranças partidárias que defendem alianças mais amplas e candidatos com maior base política consolidada.
Erro do Republicanos levou caso à Justiça
Segundo o processo, Daniella Marques assinou sua ficha de filiação ao Republicanos no dia 4 de abril de 2026, prazo considerado estratégico para quem pretende disputar as eleições de outubro, já que a legislação exige filiação partidária mínima de seis meses antes do pleito.
O problema surgiu porque o partido não inseriu os dados da nova filiada no sistema oficial da Justiça Eleitoral dentro do prazo de dez dias previsto nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para evitar prejuízos políticos e jurídicos, a defesa da economista entrou com uma ação na Justiça Eleitoral pedindo o reconhecimento da filiação.
Inicialmente, Daniella chegou a solicitar uma decisão liminar, mas o pedido foi negado. A magistrada entendeu que o caso poderia ser analisado diretamente no mérito sem necessidade de uma decisão urgente naquele momento.
Mesmo sem a liminar, o processo teve tramitação rápida e terminou com decisão favorável à ex-presidente da Caixa. A própria legenda admitiu à Justiça que houve falha interna no lançamento dos dados no sistema FILIA.
Antes de ingressar no Republicanos, Daniella era ligada ao Partido Novo. A juíza afirmou que não havia necessidade de intimar a antiga legenda porque a legislação prevê cancelamento automático da filiação anterior quando o eleitor ingressa em um novo partido.
Quem é Daniella Marques
Daniella Marques ganhou projeção nacional durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Próxima do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, ela ocupou cargos estratégicos na equipe econômica e foi nomeada presidente da Caixa Econômica Federal em junho de 2022.
Ela assumiu o comando do banco após a saída de Pedro Guimarães, investigado por denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias da instituição.
Desde então, Daniella mantém interlocução com setores do mercado financeiro e grupos políticos ligados ao campo conservador e liberal da economia.





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