Tarcísio de Freitas recua e descarta privatizar a Linha 17-Ouro do metrô

Governador de São Paulo afirma que mudou de opinião e defende manutenção da operação pelo Metrô, citando qualidade do serviço e risco de concentração nas mãos de poucas concessionárias

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que mudou de posição e não pretende mais conceder à iniciativa privada a operação da Linha 17-Ouro do Monotrilho. A declaração foi feita durante a inauguração da Estação Washington Luiz, na zona sul da capital paulista.

Segundo o governador, a decisão foi tomada após avaliar o desempenho do Metrô na operação das linhas estaduais e a necessidade de evitar a concentração dos serviços nas mãos de poucas concessionárias.

“Acho que a capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. O objetivo é sempre buscar mais investimentos e a melhor prestação de serviço para a população”, afirmou.

A Linha 17-Ouro integrava o pacote de concessão firmado em 2018 com a ViaMobilidade, juntamente com a Linha 5-Lilás. Pelo contrato, a concessionária assumiria a operação após a conclusão da fase de operação assistida.

No entanto, nos últimos anos, a ViaMobilidade passou a enfrentar uma série de questionamentos sobre a prestação dos serviços nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM. Em maio deste ano, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar falhas recorrentes na operação das duas linhas, mesmo após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2023.

Em nota, a ViaMobilidade informou que não há negociações formais sobre mudanças na operação da Linha 17-Ouro e afirmou permanecer à disposição do governo estadual para eventuais tratativas.

Operação pelo Metrô

Durante o evento, Tarcísio afirmou que sua tendência é manter a Linha 17 sob responsabilidade do Metrô, destacando o bom desempenho da empresa pública.

“A realidade é que o Metrô está operando muito bem. Hoje, a minha tendência é que continue o Metrô operando essas linhas. Também estou pensando na expansão das linhas administradas pelo Metrô, porque não podemos correr o risco de ter muitas linhas concentradas em poucos operadores privados”, declarou.

Mudança de posição

Conhecido por defender concessões e privatizações desde o início do mandato, Tarcísio negou que a mudança de entendimento esteja relacionada ao calendário eleitoral.

“Já mudei de opinião diversas vezes em vários assuntos. Não sou dono da verdade. Sempre buscamos a melhor forma de prestar o serviço público. Não faço nada por dogma. Sou extremamente pragmático”, afirmou.

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