A Prefeitura do Rio anunciou um investimento de R$ 15 milhões para obras de infraestrutura no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a tradicional Feira de São Cristóvão, na Zona Norte.
O pacote, divulgado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) nas redes sociais na noite desta terça-feira (30), prevê intervenções ao longo de cerca de um ano para recuperar áreas degradadas, reforçar a segurança do espaço e eliminar pontos considerados de risco no pavilhão.
No vídeo, Cavaliere aparece reunido com integrantes da administração da feira, representantes da prefeitura e o gestor do pavilhão, Pedro Porto, nomeado pela Riotur. O prefeito assinou o documento que autoriza o investimento e afirmou que o projeto será acompanhado por uma comissão ligada ao dia a dia da Feira de São Cristóvão.
“A Feira de São Cristóvão é do comerciante, do artista, da raiz nordestina e identidade carioca. Parabéns pelo trabalho Pedro Porto, vai firme. Seguimos!”, escreveu Cavaliere na legenda da publicação.
Atrito entre feirantes e gestão do pavilhão
O anúncio ocorre em meio a um desgaste entre parte dos feirantes e Porto. Nos últimos dias, a Comissão de Administração da Feira de São Cristóvão tornou pública a insatisfação com a atuação do gestor e divulgou uma nota em que o desautoriza a falar em nome dos comerciantes e da administração eleita do espaço.
No texto, a comissão afirma que Porto não tem “autorização, delegação ou legitimidade” para representar institucionalmente a feira. Os feirantes também demonstraram preocupação com uma possível politização do espaço em período pré-eleitoral.
“A cultura nordestina da Feira de São Cristóvão não tem dono, padrinho político nem porta-voz nomeado. Sua verdadeira voz é a dos feirantes que a construíram, a sustentam e a defenderão sempre”, diz trecho da nota. A comissão também criticou o que chamou de tentativa de apropriação da história e da imagem do espaço para fins de promoção pessoal.
Pavilhão é marco cultural e arquitetônico
A Feira de São Cristóvão funciona no antigo Pavilhão de São Cristóvão, inaugurado em 1962 e depois transformado em Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. O espaço se consolidou como um dos principais pontos de preservação e difusão da cultura nordestina no Rio.
A estrutura foi projetada pelo arquiteto Sérgio Bernardes e concebida originalmente para abrigar a Exposição Internacional de Indústria e Comércio. O pavilhão chama atenção pela dimensão e pelo vão livre, sustentado por um sistema de cabos de aço e superfícies curvas.
Com o investimento anunciado, a prefeitura tenta abrir uma nova etapa de obras no espaço, enquanto ainda busca reduzir a tensão com os feirantes sobre a gestão do pavilhão e a representação institucional da Feira de São Cristóvão.






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