Paes suspende privatização da Feira de Tradições Nordestinas de São Cristóvão após pressão dos comerciantes

O prefeito Eduardo Paes (PSD) decidiu suspender, na tarde de desta terça-feira, o edital de licitação da concessão do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão. O edital previa investimentos de R$ 97,4 milhões em reformas e na ampliação do espaço ocupado pelos feirantes. A decisão, publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira, foi…

O prefeito Eduardo Paes (PSD) decidiu suspender, na tarde de desta terça-feira, o edital de licitação da concessão do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão. O edital previa investimentos de R$ 97,4 milhões em reformas e na ampliação do espaço ocupado pelos feirantes. A decisão, publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira, foi tomada após uma reunião do prefeito com representantes de comerciantes contrários à privatização do local. Segundo a prefeitura, a suspensão foi feita para que os termos do edital possam ser debatidos com os feirantes. A entrega das propostas estava prevista para 25 de maio.

Na tarde desta terça-feira (02), os comerciantes da feira realizaram uma manifestação contra a privatização do local. Após a decisão de suspensão do edital, eles comemoraram o recuo de Paes em postagem no Instagram.

“Nesta terça-feira, a Comissão de Administração e os Feirantes mostraram a força da união. Juntos, caminharam do pavilhão de São Cristóvão até a prefeitura do Rio, na Cidade Nova, para impedir a privatização da nossa querida Feira de São Cristóvão. E conseguiram! Após reunião com o prefeito da Cidade, a Comissão e os Feirantes também garantiram a revitalização do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas”, escreveram.

No edital suspenso, constam os investimentos exigidos do futuro operador, que cuidaria da área por no mínimo 35 anos. Entre os pontos, estavam a construção de um segundo pavimento onde seriam instalados novos boxes e uma espécie de área VIP para assistir aos shows, com 128 camarotes.

O valor mínimo para outorgar da concessão do Centro de Tradições Nordestinas era R$ 3,6 milhões. O edital ainda permitia a participação de empresas brasileiras e estrangeiras e uma série de obras nos primeiros 30 meses. Com essas mudanças, área locável passaria de 37 mil metros quadrados para 43,5 mil metros quadrados. A concessionária também daria direito para o operador explorar a bilheteria, o estacionamento e os aluguéis dos espaços. Mas, diferentemente de outros equipamentos culturais, o novo operador não poderia captar receitas pelo mecanismo conhecido como “naming rights” — quando o espaço ganha o nome do patrocinador.

Desde que o edital foi lançado, as propostas receberam críticas dos comerciantes. Apesar de um dos itens do contrato especificar a preferência para manter os atuais feirantes, ainda havia muitas dúvidas sobre como seria o relacionamento com o novo operador.

— O nome daqui é Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga justamente porque valoriza a cultura de uma região do país. O que se propõe é uma espécie de globalização da feira. Nos primeiros anos, pode até ser que a coisa melhore. Mas será que, por causa dos lucros, essa essência será mantida no futuro ou seguirá a lógica do setor privado e, no fim, isso aqui acabe transformado em um shopping?”, disse Flávio Farney da Silva Xavier, proprietário das Barraca Mandacaru e da Tenda di Mangaio.

Com informações do GLOBO.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading