Funcionários do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), da Sabesp (estatal de saneamento básico) e da Fundação Casa entraram em greve nesta terça-feira, em São Paulo. Os sindicatos dessas categorias são contrários à privatização da companhia de saneamento básico e à concessão das linhas metroferroviárias. O projeto de desestatização da Sabesp avançou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e já deve ser votado pelos deputados estaduais em dezembro.
A greve afeta todas as nove linhas estatais do Metrô e do trem — a linha 11 (coral) funciona parcialmente entre a Luz e Guaianases. Já as linhas 4 (Amarela), 5 (Lilás), 8 (Diamante) e 9 (Esmeralda), concedidas à iniciativa privada, funcionam normalmente nesta terça-feira.
Veja quais linhas do metrô e trem não estão funcionando:
- 1 (Azul)
- 2 (Verde)
- 3 (Vermelha)
- 7 (Rubi)
- 10 (Turquesa)
- 11 (Coral)
- 12 (Safira)
- 13 (Jade)
- 15 (Prata)
Por conta da greve, a prefeitura da capital e o governo do estado reforçaram a frota de ônibus municipais e intermunicipais. O rodízio municipal de veículos está suspenso o dia todo. Governo e prefeitura determinaram ponto facultativo em todos os serviços públicos da capital.
No caso do estado, os profissionais da educação são exceção, pois estão envolvidos na preparação do Provão Paulista, marcado para o dia 29. Os serviços de segurança pública também não serão afetados, assim como os restaurantes e postos móveis do Bom Prato, que continuam oferecendo refeições. Consultas em Ambulatórios Médicos de Especialidades da capital e em outras unidades de saúde estaduais terão seus reagendamentos garantidos, assim como nos postos Poupatempo.
A prefeitura informou que decidiu manter o funcionamento de escolas e creches, unidades de saúde, serviços de segurança urbana, de assistência social, do serviço funerário, além de outras unidades cujas atividades não possam sofrer descontinuidade. Consultas, exames e cirurgias que tenham sido perdidas por pacientes também poderão ser reagendadas.
A greve foi articulada pelos sindicatos em conjunto com os partidos de oposição ao governo paulista , que também marcaram para esta terça-feira uma nova audiência pública na Alesp para debater a privatização da Sabesp, um dos principais projetos da gestão Tarcísio de Freitas. O governador afirmou, em nota divulgada na noite de segunda-feira, que a greve é “abusiva e política” e que foi imposta a partir da vontade de uma “minoria” dos metroviários.
Integrantes do partido Unidade Popular (UP) e do Movimento Luta de Classe se revezaram, na Barra Funda, para discursar para quem passava pela estação. O grupo chegou ao local às 4h e pendurou cartazes com frases contrárias à privatização da Sabesp e concessão do Metrô.
Nos discursos, eles citaram os recentes episódios envolvendo a distribuidora de energia Enel como alerta para não privatizar a companhia de saneamento. Lembraram ainda que a empresa que cuida da eletricidade da capital e cidades da região metropolitana demitiu funcionários após a desestatização. E a acusaram de colocar a “culpa na chuva” pelo apagão que perdurou quase uma semana na capital e na Região Metropolitana.
As ações buscam criar uma mobilização social contra o Projeto de Lei (PL) que autoriza a venda da estatal de saneamento. A proposta está marcada para ir a plenário pela primeira vez nesta terça, com a expectativa de que as discussões se estendam pelo menos até 6 de dezembro.
Os sindicatos também protestam contra os planos do governador de privatizar linhas de metrô e trem. A Linha 7 (Rubi) deve ser a primeira a ser entregue à iniciativa privada na atual gestão, pois faz parte do acordo para construção do trem intercidades até Campinas — a empresa que ganhar a disputa para tocar a obra vai operar a linha que hoje é da CPTM.
Em seguida, a ideia é conceder os outros ramais do transporte ferroviário, mas Tarcísio já está estudando também privatizar as quatro linhas do metroviário paulista que ainda são operadas pelo poder público. Segundo o governador, a CPTM e o Metrô passariam a ter “um novo papel”, mais focado na elaboração de projetos de expansão e melhorias do sistema, mas saindo completamente da operação diária das linhas, sob o argumento de que as estatais estão com a saúde financeira comprometida.
A gestão Tarcísio é a que mais enfrentou greves do sistema metroferroviário em um só ano na última década. Entre 2013 e 2023, os funcionários do metrô fizeram um total de 11 greves, de acordo com dados levantados pelo diretor do Sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres, a pedido do jornal O GLOBO. Só este ano já foram três: em março, em outubro e a desta terça.
O ato foi organizado por dezenas de sindicatos e movimentos sociais, que pedem “serviços públicos de qualidade” e preservação dos direitos do funcionalismo no estado de São Paulo.
Com informações da Folha de S. Paulo.





