A manutenção da greve dos rodoviários do Rio, que estava no terceiro dia, foi suspensa, na tarde desta quarta-feira (1º) após acordo entre representantes da categoria e empresários do setor em assembleia em Rocha Miranda, Zona Norte. Com a decisão, os ônibus voltam a circular normalmente gradativamente na cidade.
A suspensão do movimento foi definida após negociações realizadas entre o Sindicato dos Rodoviários, o RioÔnibus, que representa as empresas de ônibus e mediadores da Justiça do Trabalho. As partes avançaram nas tratativas sobre as reivindicações da categoria, o que levou à interrupção do movimento paredista enquanto as negociações continuam. A próxima audiência do movimento está prevista para segunda-feira (6).
Deliberação
Segundo os representantes dos rodoviários, a suspensão da greve demonstra boa-fé nas negociações e abre espaço para que as discussões sobre reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho avancem sem prejuízos à população.
O acordo evita, ao menos por enquanto, um novo impasse no sistema de transporte da cidade, que já enfrenta desafios relacionados à redução da frota, à demanda de passageiros e às dificuldades financeiras do setor.
Categoria mantém estado de greve
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a assembleia foi marcada por forte insatisfação da categoria com as atuais condições de trabalho, o que tornou a decisão de suspender o movimento ainda mais difícil.
“Foi uma assembleia muito tensa e difícil, já que os rodoviários estão revoltados com a atual condição de trabalho da categoria. Infelizmente falta sensibilidade aos empresários e quem paga essa conta são os usuários, que em sua grande maioria entenderam e apoiam a situação e os motivos dessa reação dos motoristas”, afirmou.
O dirigente ressaltou que a suspensão da greve representa apenas uma trégua para permitir a continuidade das negociações.
Reivindicações permanecem
De acordo com o sindicato, a categoria não abriu mão da pauta de reivindicações apresentada ao Rio Ônibus. Entre os principais pedidos estão a mudança da data-base para 1º de março, salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e de R$ 4 mil para os demais condutores, contratação pelo regime da CLT para os profissionais do BRT, fim dos contratos temporários, tíquete-alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho no regime 5×2, manutenção do passe livre da categoria, indenização do intervalo de almoço e oferta de planos de saúde e odontológico.
“Queremos apenas o que nos é de direito. Em todos esses anos como sindicalista não lembro de algo parecido ter ocorrido”, declarou Sebastião José.
Caso não haja uma proposta considerada satisfatória na reunião da próxima segunda-feira, a categoria poderá retomar a paralisação.
Jornada menor
Na audiência mais cedo nesta quarta, os rodoviários destacaram as principais reivindicações da greve. A categoria pede piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para condutores de articulados, vale-alimentação de R$ 1 mil, implantação de plano de saúde e mudanças na escala de trabalho.
Outro ponto levado à mesa de negociação é a jornada de sete horas e meia. Segundo o sindicato, os motoristas têm um intervalo de 30 minutos para refeição, dividido em três pausas, e alegam que esse período vem sendo descontado da jornada.
Já o Rio Ônibus informou que mantém a proposta de reajuste de 4,39% nos salários e na cesta básica, com aplicação prevista já na próxima folha de pagamento. Assista a assembleia dos rodoviários que suspendeu a greve:






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