Ônibus e BRT voltam a operar com 100% da frota no Rio após suspensão da greve dos rodoviários

Paralisação é interrompida após três dias, mas categoria permanece em estado de greve enquanto negociações salariais continuam

O sistema de ônibus municipais e o BRT do Rio de Janeiro voltaram a operar com a frota integral a partir da 0h desta quinta-feira (2), conforme informou o Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio). A normalização do serviço ocorre após a suspensão da greve dos rodoviários, decidida em assembleia realizada nesta quarta-feira (1).

A paralisação, que durou três dias, foi interrompida após a maioria dos trabalhadores aprovar a proposta apresentada pela direção do sindicato. Apesar do retorno das atividades, a categoria informou que continuará em estado de greve, mantendo aberta a possibilidade de uma nova paralisação caso as negociações não avancem.

A decisão foi influenciada por determinações da Justiça do Trabalho e pelos resultados da audiência de conciliação realizada entre representantes dos trabalhadores, empresas e órgãos públicos.

Decisão da Justiça influenciou fim da paralisação

Um dos principais fatores para a suspensão da greve foi a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou que 80% da frota de ônibus permanecesse em circulação durante a paralisação. A medida ampliou o percentual anteriormente estabelecido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que previa a circulação de 50% dos veículos.

No Rio de Janeiro, a frota municipal conta com aproximadamente 3.600 ônibus. Com a nova determinação judicial, cerca de 2.880 veículos deveriam estar em operação durante a greve.

Entretanto, segundo o sindicato Rio Ônibus, apenas 1.650 coletivos estavam circulando durante a manhã de quarta-feira, número inferior à metade da frota total da cidade.

Audiência de conciliação abriu caminho para acordo

Outro ponto decisivo foi a audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho. Durante a reunião, representantes do TRT e do Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitaram que o sindicato suspendesse temporariamente a greve até a próxima rodada de negociações.

O novo encontro entre trabalhadores e empresários está marcado para a próxima segunda-feira (6), quando as partes tentarão avançar nas discussões sobre reajuste salarial e benefícios.

Como parte do entendimento, as empresas concordaram em não descontar os dias parados nem o vale-refeição dos trabalhadores. Além disso, assumiram o compromisso de discutir um reajuste salarial superior ao percentual inicialmente oferecido.

Categoria permanece em estado de greve

Durante a assembleia que definiu o encerramento da paralisação, houve resistência de parte dos trabalhadores à suspensão do movimento. Após mais de uma hora de debates, a proposta foi colocada em votação e aprovada pela maioria dos presentes.

Com isso, os rodoviários retomaram normalmente suas atividades nesta quinta-feira, permitindo a normalização da operação dos ônibus convencionais e do sistema BRT em toda a cidade.

Apesar da retomada do serviço, o sindicato ressaltou que a categoria permanece em estado de greve. Isso significa que uma nova paralisação poderá ser convocada caso não haja avanços nas negociações com as empresas.

Reivindicações dos rodoviários

Entre as principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão:

  • Reajuste salarial de 17%;
  • Piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT;
  • Piso de R$ 4 mil para os demais motoristas;
  • Vale-alimentação de R$ 1 mil;
  • Implantação de plano de saúde;
  • Alterações na escala de trabalho e jornada de sete horas e meia.

Empresas sinalizam possibilidade de nova proposta

Os empresários haviam apresentado inicialmente uma proposta de reajuste de 4,39%, afirmando que não fariam nova contraproposta. No entanto, durante a audiência de conciliação, concordaram em negociar um índice superior para viabilizar a suspensão da greve.

As negociações continuam nos próximos dias e deverão definir se haverá acordo entre trabalhadores e empresas ou se o movimento poderá ser retomado nas próximas semanas.

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