Vídeo: Policiais são presos por saquearem área devastada por terremoto e ampliam crise na Venezuela

Flagrante de agentes retirando dinheiro de escombros aumenta pressão sobre o governo, enquanto sobreviventes denunciam insegurança e falhas na assistência humanitária.

A prisão de quatro policiais venezuelanos acusados de furtar dinheiro em áreas destruídas pelos terremotos que atingiram a Venezuela agravou ainda mais a crise enfrentada pelo governo durante a resposta ao desastre. Os agentes foram flagrados por moradores retirando valores dos escombros em La Guaira, região considerada a mais devastada pelos tremores registrados em 24 de junho.

As imagens, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, mostram os policiais sendo cercados por moradores indignados, que os acusam de aproveitar a tragédia para cometer crimes. O episódio provocou forte repercussão nacional e internacional, intensificando as críticas à condução da emergência.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram ao menos 2.295 mortos, mais de 11 mil feridos e milhares de desabrigados, segundo o balanço oficial mais recente. Além da destruição, a população enfrenta dificuldades para receber ajuda humanitária e teme o aumento da criminalidade nas áreas afetadas.

Flagrante levou à prisão dos agentes

O Ministério da Justiça confirmou a prisão dos quatro integrantes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Cicpc), após a divulgação dos vídeos gravados por moradores. As imagens mostram um dos policiais segurando uma caixa contendo dólares supostamente encontrados entre os escombros.

Em outro registro, uma mulher aparece tomando o dinheiro dos agentes enquanto populares protestam contra a ação, chamando os policiais de “ladrões” e “vergonha”.

Em nota oficial, o governo afirmou que os servidores públicos desviaram completamente de suas funções ao se apropriarem de valores encontrados durante as operações de resgate. Os quatro foram demitidos da corporação e colocados à disposição da Justiça.

Governo promete punição exemplar

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, classificou o comportamento dos policiais como “indecente e vergonhoso”. Segundo ele, o governo não tolerará qualquer tentativa de exploração da tragédia por agentes públicos.

Cabello declarou que os envolvidos desonraram o uniforme e garantiu que casos semelhantes receberão punições ainda mais severas caso voltem a ocorrer durante as operações de resgate.

As denúncias, entretanto, vão além desse episódio. Voluntários que trabalham nas áreas atingidas afirmam que há relatos de militares e policiais se apropriando de alimentos, suprimentos e materiais destinados às vítimas dos terremotos.

Oposição amplia críticas à resposta do governo

A repercussão do caso fortaleceu os ataques da oposição ao governo venezuelano. A Plataforma Unitária Democrática afirmou que a tragédia revelou profundas fragilidades do Estado para enfrentar situações de emergência dessa magnitude.

Segundo o grupo, anos de deterioração institucional comprometeram a capacidade de resposta das autoridades, aumentando o sofrimento da população atingida.

Lideranças oposicionistas no exterior também criticaram duramente a condução da crise. Representantes de organizações venezuelanas sediadas nos Estados Unidos acusam o governo de agir com lentidão nos primeiros dias após os terremotos e apontam falta de equipamentos, planejamento e coordenação das operações de resgate.

Voluntários denunciam falta de estrutura

Além das críticas políticas, equipes voluntárias que participam das buscas afirmam que o trabalho oficial ainda enfrenta sérias limitações.

Segundo relatos, há escassez de maquinário pesado, dificuldades de acesso às regiões mais destruídas e restrições impostas a civis que desejam colaborar nas operações.

Enquanto isso, moradores continuam registrando episódios de saques em diversas localidades atingidas, obrigando as forças de segurança a reforçarem o patrulhamento, embora os casos continuem sendo relatados pela população.

Sobreviventes enfrentam insegurança nos abrigos

A situação também preocupa dentro dos abrigos improvisados montados para receber os desabrigados.

No ginásio José María Vargas, em Catia La Mar, onde cerca de 1.700 pessoas estão acolhidas, moradores relatam desorganização na distribuição de alimentos, conflitos constantes e medo durante a noite.

Algumas famílias afirmam que precisam se revezar para dormir, temendo furtos dos poucos pertences recuperados dos escombros. Também há denúncias de que militares teriam priorizado a retirada de donativos antes da distribuição aos sobreviventes.

Crise humanitária continua crescendo

Segundo o governo venezuelano, quase 16 mil pessoas ficaram desabrigadas em consequência dos terremotos. As autoridades informam ainda que mais de 80 mil famílias receberam algum tipo de assistência e que cerca de 15 mil voluntários participam das operações de resgate.

O balanço oficial aponta que 6.461 pessoas foram retiradas com vida dos escombros desde o início das buscas. Ao todo, 855 edifícios sofreram danos estruturais, sendo que 189 desabaram completamente.

Uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que os prejuízos econômicos provocados pelos terremotos já alcançam aproximadamente US$ 6,7 bilhões, enquanto a Venezuela enfrenta o desafio de reconstruir cidades inteiras e ampliar o atendimento às milhares de vítimas da maior tragédia natural da história recente do país.

Veja o vídeo:

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