EUA classificam PCC como maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental

Departamento do Tesouro americano anunciou sanções contra brasileiros e empresas por supostos vínculos com a facção e destacou a expansão das atividades criminosas do grupo em diversos países.

O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. A definição foi divulgada pelo Departamento do Tesouro dos EUA junto com o anúncio de sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa, todos suspeitos de manter vínculos com a organização criminosa.

As medidas foram adotadas com base em dois decretos assinados pelo presidente Donald Trump. Um deles tem como foco o combate à proliferação de drogas ilícitas e às estruturas utilizadas para sua produção e distribuição. O outro é direcionado ao enfrentamento de terroristas e seus apoiadores.

A decisão amplia a ofensiva iniciada no fim de maio, quando o governo americano incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas.

Autoridades americanas apontam avanço da facção nos Estados Unidos

Segundo Gene Lange, que ocupa interinamente o cargo de subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, a nova medida representa mais um avanço da estratégia americana para combater a atuação financeira da facção.

De acordo com o representante do Tesouro, a iniciativa busca enfrentar e reconhecer a crescente presença das atividades ilícitas do PCC dentro do território dos Estados Unidos, especialmente aquelas relacionadas à geração de recursos para sustentar a organização.

O comunicado também afirma que as sanções atingem estruturas responsáveis pelo tráfico de drogas, pelo transporte ilegal de grandes quantias de dinheiro destinadas a cartéis e por outras atividades criminosas voltadas ao financiamento da facção.

Operação brasileira contra lavagem de dinheiro é destacada

O Departamento do Tesouro também ressaltou uma operação realizada por autoridades brasileiras que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC por meio do comércio internacional.

Segundo os americanos, o grupo utilizava uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para movimentar e lavar mais de US$ 190 milhões em apenas sete meses.

A investigação foi conduzida pela Polícia Civil de São Paulo em fevereiro deste ano, com o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão nos estados de São Paulo e Santa Catarina.

Investigação reuniu forças de segurança do Brasil e dos Estados Unidos

A ação brasileira contou com a participação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), e da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP).

O governo americano também destacou que o PCC mantém atuação em outros países, incluindo Reino Unido, Turquia e Japão, reforçando o caráter internacional das atividades atribuídas à organização criminosa.

Nos Estados Unidos, a investigação foi coordenada pela Homeland Security Task Force (HSTF), com apoio do escritório do FBI em Miami e da Divisão de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco de Bens do Departamento de Justiça (DOJ), que participaram das apurações que resultaram nas sanções anunciadas.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading