EUA prometem destruir PCC e Comando Vermelho após classificação como terroristas

Subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, afirma que facções brasileiras representam ameaça à segurança regional e anuncia ofensiva contra os grupos

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (28). Horas após o anúncio oficial do Departamento de Estado, o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, afirmou que Washington está comprometida em combater e destruir as duas facções criminosas brasileiras.

A declaração reforça o endurecimento do discurso da administração do presidente Donald Trump contra organizações criminosas transnacionais e sinaliza que a nova classificação deverá ser acompanhada por medidas mais rigorosas de cooperação internacional, rastreamento financeiro e sanções.

Ameaça ao hemisfério

Em publicação nas redes sociais, Landau afirmou que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça não apenas ao Brasil, mas a todo o Hemisfério Ocidental, incluindo os Estados Unidos.

Segundo o diplomata, o governo americano considera as duas organizações criminosas como um risco relevante para a segurança regional e pretende utilizar todos os instrumentos disponíveis para enfrentar suas atividades.

A manifestação ocorreu logo após a divulgação da decisão assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Decisão entra em vigor em junho

O Departamento de Estado informou que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas passará a valer a partir de 5 de junho.

Ao justificar a medida, Rubio afirmou que PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e que suas atividades ultrapassam as fronteiras nacionais.

Segundo o governo americano, as facções possuem influência em diferentes países da região e mantêm estruturas ligadas ao narcotráfico e a outros crimes transnacionais.

Encontro com Trump

O anúncio ocorreu apenas dois dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca.

Após o encontro, o parlamentar afirmou ter defendido junto às autoridades americanas a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

Quando a medida foi confirmada, Flávio comemorou publicamente a decisão e publicou nas redes sociais a mensagem: “Grande dia”.

A proximidade entre os dois acontecimentos fez com que o tema ganhasse repercussão também no cenário político brasileiro.

Reflexos políticos

A classificação de PCC e Comando Vermelho tornou-se rapidamente um tema de disputa política entre governo e oposição.

Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a medida reforça o discurso de endurecimento no combate ao crime organizado, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstraram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e questões relacionadas à soberania nacional.

Mais cedo, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional é importante no enfrentamento ao crime organizado, mas ressaltou que qualquer pretexto para intervenção estrangeira seria inaceitável.

O que muda

Com a nova classificação, PCC e Comando Vermelho passam a integrar listas americanas voltadas ao combate ao terrorismo internacional. A medida permite a ampliação de sanções financeiras, bloqueio de ativos, restrições a transações internacionais e mecanismos de investigação contra integrantes e colaboradores dos grupos.

A expectativa é que os efeitos da decisão sejam sentidos não apenas no campo da segurança pública, mas também nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e no debate político que antecede as eleições presidenciais de 2026.

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