O Tribunal Constitucional da Tailândia destituiu nesta sexta-feira (28) a primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, de 39 anos, após concluir que ela violou normas éticas ao manter uma conversa telefônica considerada comprometedora com o ex-primeiro-ministro cambojano Hun Sen. A decisão, aprovada por 6 votos a 3, encerra o mandato da líder mais jovem da história do país e representa novo revés para a influente família Shinawatra, que domina a cena política há mais de duas décadas.
O áudio vazado e a crise na fronteira
A ligação, ocorrida em 15 de junho e divulgada pelo próprio Hun Sen, mostra Paetongtarn adotando tom pessoal ao chamá-lo de “tio” e criticando um general tailandês, classificado como “oponente”. O episódio ocorreu semanas antes de confrontos fronteiriços que deixaram dezenas de mortos e mais de 260 mil deslocados. Para os juízes, a postura da premiê demonstrou alinhamento excessivo aos interesses do país vizinho, colocando em risco a segurança nacional.
Paetongtarn tentou se defender, dizendo que o tom amistoso fazia parte de uma estratégia para reduzir tensões e salvar vidas. Após o veredito, aceitou a decisão, mas negou ter comprometido a soberania tailandesa.
Dinastia sob pressão
A queda de Paetongtarn intensifica o cerco à dinastia Shinawatra. Seu pai, Thaksin Shinawatra, foi primeiro-ministro entre 2001 e 2006 e ainda exerce forte influência, mesmo após ter sido deposto por um golpe militar. A irmã de Paetongtarn, Yingluck Shinawatra, também foi afastada do cargo em 2014 e cumpre pena de 10 anos desde 2022. O clã, apesar das acusações recorrentes de corrupção e abuso de poder, mantém popularidade entre eleitores de perfil populista, o que alimenta a desconfiança da elite monarquista conservadora.
Consequências políticas
A destituição já provoca instabilidade no Parlamento. O partido Pheu Thai, liderado por Paetongtarn, perdeu apoio de aliados importantes, como o Partido Bhumjaithai, fragilizando a coalizão governista. O episódio agrava também a crise econômica do país, que ainda sofre os efeitos da pandemia, e deixa em aberto o futuro político da Tailândia diante de mais um capítulo de instabilidade institucional.






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