STF prepara esquema inédito de segurança para julgamento de Bolsonaro; conheça as medidas

Corte prevê dias de grande tensão e quer evitar atos de violência

O Supremo Tribunal Federal (STF) prepara um esquema inédito de segurança para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de envolvimento na trama golpista de 2022. A Corte está se organizando para enfrentar semanas de forte tensão política e institucional a partir de 2 de setembro, quando as sessões começarão.

Entre as medidas estão varreduras nas residências dos ministros, reforço no policiamento e acesso controlado à Praça dos Três Poderes, em Brasília. O STF requisitou cerca de 30 policiais vindos de outros tribunais, que se somarão ao efetivo da Polícia Judicial, informa o Diário do Centro do Mundo. Para garantir a presença permanente dos agentes, foram montados dormitórios improvisados com beliches dentro da sede do Supremo. A previsão é de que eles permaneçam no tribunal por, pelo menos, dois meses.

Manifestações próximas ao 7 de Setembro no radar

O reforço é justificado pelo aumento das ameaças contra ministros diante da possibilidade de condenação de Bolsonaro. A proximidade do 7 de Setembro, data marcada por desfiles cívico-militares e que já foi usada como palco de manifestações bolsonaristas, também preocupa as autoridades. Grupos de apoiadores do ex-presidente convocaram protestos que devem coincidir com o período das sessões.

Outro ponto sensível é a presença física de Bolsonaro. Embora esteja em prisão domiciliar, ele confidenciou a aliados o desejo de comparecer ao julgamento para enfrentar pessoalmente os ministros que considera adversários. Caso isso aconteça, o esquema de segurança será redobrado, diante do risco de mobilização política em torno de sua ida ao tribunal.

Análise do caso pode durar duas semanas

As sessões estão marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, sob relatoria da Primeira Turma, presidida pelo ministro Cristiano Zanin. A expectativa é que a análise do caso se estenda por até duas semanas, coincidindo com a posse de Edson Fachin na presidência do STF no fim do mês — fato que acrescenta ainda mais peso político à decisão.

Além das medidas de vigilância ostensiva, o STF também retomou a instalação de grades ao redor de sua sede. As barreiras haviam sido retiradas em 2024, mas voltaram após novos episódios de risco, como o de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, que em 2023 se explodiu em frente à Corte. Para evitar glorificação de ações semelhantes, os agentes passaram a classificar esses indivíduos como “ratos solitários”, em vez de “lobos solitários”.

O clima é de apreensão: além das pressões externas e da ameaça de manifestações, ministros e seguranças do Supremo avaliam que o ambiente de hostilidade contra a Corte pode se prolongar mesmo após a decisão final.

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