Shopping Tijuca: superintendente e chefe dos brigadistas prestam depoimento

O fogo teve início em uma loja no subsolo e a principal hipótese, até agora, é de que tenha começado no sistema de refrigeração

A Polícia Civil vai ouvir, nesta terça-feira (6), o superintendente e o chefe dos brigadistas do Shopping Tijuca, que pegou fogo na última sexta-feira (2). O fogo teve início em uma loja no subsolo e a principal hipótese, até agora, é de que tenha começado no sistema de refrigeração do local.

“Não conseguimos concluir de forma técnica qual foi o ponto inicial. A gente acredita que tenha sido no sistema de refrigeração, mas só a peça técnica é capaz de determinar. Essa perícia ainda será feita”, explicou ao RJTV, da TV Globo, a delegada Maíra Rodrigues, da 19ª DP (Tijuca), responsável pelas investigações.

Os agente aguardam a liberação da Defesa Civil e dos bombeiros para concluir a perícia no local. Enquanto isso, os depoimentos desta terça, segundo a delegada, são peças fundamentais para entender qual foi o procedimento de evacuação adotado pelo estabelecimento.

“Nós vamos fazer oitivas de peças fundamentais que vão trazer informações, especialmente, a respeito das circunstancias do incêndio. Se existia um protocolo para acionamento de combate de incêndio, para evacuação do local, se tinha licença para atuação tanto do shopping quanto da loja, como foi a circunstância de entrada e acionamento de brigadistas. Vamos esclarecer se ouve negligência, falha humana ou falha técnica”, detalhou.

O fogo, segundo a administração do shopping, começou na loja Bell’Art, que comercializa artigos de decoração. Dois brigadistas morreram durante a evacuação do local. Três pessoas também ficaram feridas.

Evacuação

Em nota, a administração do Shopping Tijuca informou que cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança no dia do incêndio e que todos os equipamentos e protocolos exigidos por lei foram cumpridos.

Segundo o comunicado, a brigada do shopping conseguiu retirar o público do subsolo em poucos minutos e, em cerca de 30 minutos, todas as pessoas já haviam deixado o local sem tumultos.

O shopping afirmou ainda que conta com 11 saídas de emergência e que tem prestado assistência às famílias das vítimas.

Vídeos nas redes sociais, no entanto, contestam essa versão e mostram funcionário de quiosques fechando a loja antes de sair do local. Eles serão analisados pela polícia.

“Os vídeos coletados estão sendo introduzidos no inquérito, mas antes precisam passar por uma análise de veracidade. Estamos levando para perícia para saber se há uma autenticidade do ambiente e contexto que a gente investiga. Mas, essas informações são validas para confrontar com as imagens oficiais que a gente já requisitou e espera receber em breve do Shopping Tijuca”, finaliza Maíra.

Vistoria

Na tarde de segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal realizou uma vistoria técnica no térreo e no subsolo do shopping, após a liberação prévia dos Bombeiros.

De acordo com o órgão, os técnicos identificaram risco estrutural no mezanino da loja onde o incêndio teve início, a Bell’Art, que comercializa artigos de decoração, além de perigo de queda de revestimentos e desplacamento de partes do teto e do piso.

O subsolo do Shopping Tijuca foi totalmente interditado, sem previsão de liberação, devido à falta de condições seguras para permanência de pessoas.

Já no térreo, 17 lojas localizadas na lateral esquerda — entre a entrada principal da Avenida Maracanã e a loja Tok&Stok — também foram interditadas. Segundo a Defesa Civil, o calor intenso das chamas provocou deformações no piso dessa área.

Ainda conforme a vistoria, não foi constatado risco estrutural nas demais lojas do térreo e do subsolo que não foram diretamente afetadas pelo incêndio.

Nota do shopping

“O Shopping Tijuca informa que, após o incêndio na loja Bell’Art, nosso time conseguiu evacuar cerca de 7 mil pessoas com total segurança. Os equipamentos para combate a incêndios exigido por legislação estavam disponíveis e todos os protocolos de emergência foram cumpridos, inclusive com acionamento de sirenes.

A brigada do shopping atuou de forma rápida, conseguindo evacuar a loja e o andar onde ela se encontrava (subsolo) em poucos minutos, até a chegada dos bombeiros. Em aproximadamente 30 minutos, todas as pessoas tinham sido retiradas em segurança, sem tumultos ou ferimentos decorrentes de correria.

Os esforços foram coordenados pela brigada, funcionários, equipe de segurança e bombeiros, que atuaram de forma ativa na orientação do público. O Shopping Tijuca conta com 11 pontos de saída de emergência, além de portarias e rotas de fuga dimensionadas e aprovadas conforme as normas técnicas e exigências do Corpo de Bombeiros.

Desde o primeiro momento, nossa prioridade tem sido dar toda a assistência às famílias da brigadista Emellyn Aguiar e do supervisor de mall Anderson Paiva, além de apoiar nossos colaboradores envolvidos. Eles são heróis e, junto ao time, foram fundamentais para que muitas vidas fossem preservadas.

Todas as ações foram conduzidas com atuação técnica, rápida e decisiva do Corpo de Bombeiros, que liderou a operação no local, contando com total suporte e cooperação do shopping para garantir a segurança das pessoas e a eficiência dos trabalhos. O shopping mobilizou:

  • 40 equipamentos adicionais de ventilação e exaustão de fumaça, trazidos com o apoio de shoppings parceiros da região;
  • 10 bombas para drenagem;
  • 2 retroescavadeiras para auxiliar em aberturas de pontos de acesso e intervenções externas nas paredes do shopping;
  • Rede de sprinklers e hidrantes que abrange todo o empreendimento;
  • Pontos de alimentação elétrica;
  • Abastecimento contínuo de água, inclusive com caminhões pipa, permitindo que os bombeiros pudessem atuar com mais agilidade e segurança.

Até o momento, no entanto, não há atualização sobre o prazo para encerramento dessas atividades nem previsão para a reabertura do shopping. A retomada das operações ocorrerá somente após a conclusão de todos os procedimentos de perícia e vistoria pelos órgãos competentes. É um trabalho árduo e minucioso, com o objetivo de garantir a segurança total para o retorno das operações.

As causas do incêndio no mezanino da loja Bell’Art, que funcionava no subsolo, serão conhecidas após a investigação policial e o shopping permanece à inteira disposição das autoridades para colaborar”.

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