A Polícia Civil informou que a perícia técnica no Shopping Tijuca não pôde ser concluída nesta terça-feira (6), quatro dias após o incêndio que atingiu uma loja do centro comercial. Segundo os investigadores, a temperatura no interior do estabelecimento ainda girava em torno de 70 graus, o que inviabilizou o avanço dos trabalhos.
Os peritos chegaram a acessar o local, mas constataram a falta de condições mínimas de segurança para alcançar o ponto apontado como possível foco inicial do fogo. A área mais crítica fica próxima ao depósito da loja, onde o calor intenso impediu qualquer aproximação.
Diante da situação, a equipe solicitou apoio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para o isolamento de pontos específicos e a adoção de medidas que permitam a continuidade da investigação em uma próxima etapa. A perícia foi realizada por cinco peritos da 19ª DP (Tijuca), teve início por volta das 15h30 e durou cerca de uma hora.
A tragédia resultou na morte do supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes, além de deixar três feridos e provocar a interdição do subsolo e de 17 lojas do térreo.
Os trabalhos serão conduzidos por agentes da 19ª DP (Tijuca) após a liberação do local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Desde o dia da tragédia, o centro comercial permanece fechado ao público e ainda não há previsão de reabertura.
De acordo com a delegada adjunta da 19ª DP, Maíra Rodrigues, o laudo pericial é a etapa fundamental para identificar a origem do fogo.
“A gente precisa estabelecer o ponto focal do incêndio e a causa do incêndio. Até agora temos hipóteses, mas não podemos concluir de forma técnica. Só a peça técnica pode determinar o ponto inicial”, afirmou ao G1.
Segundo a investigação, o incêndio teve início em uma loja de decoração localizada no subsolo. A principal hipótese considerada até o momento é de que as chamas tenham começado no sistema de refrigeração do estabelecimento.
Polícia vai ouvir superintendente e chefe dos brigadistas
Além da perícia, a Polícia Civil realiza nesta terça a tomada de depoimentos de testemunhas tratadas como peças-chave do inquérito. Devem ser ouvidos o superintendente do shopping, o chefe da equipe de brigadistas e um dos feridos no incêndio, que segue internado no Hospital Souza Aguiar.
A delegada informou que o dia é decisivo para esclarecer as circunstâncias do caso. “Vamos fazer oitivas de peças fundamentais que vão trazer informações sobre as circunstâncias do incêndio, se havia protocolo para a evacuação, se tinha licença, como foi a circunstância de entrada e de acionamento dos brigadistas. Queremos saber se houve eventual negligência, falha humana ou falha técnica”, explicou.
A delegacia já requisitou imagens das câmeras de segurança e documentação técnica do shopping para análise. Vídeos que circulam nas redes sociais também serão encaminhados à perícia para verificação de autenticidade antes de serem comparados com o material oficial.
Interdições e riscos estruturais
Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal realizou vistoria no prédio e interditou totalmente o subsolo por falta de condições seguras para permanência de pessoas. Os técnicos apontaram risco estrutural no mezanino da loja atingida, além de perigo de queda de revestimentos internos e desplacamento de partes do teto, piso e paredes. O órgão informou que não há risco de desabamento do edifício.
Cerca de 40 veículos de clientes continuam presos no estacionamento do shopping. A administração orienta que os proprietários entrem em contato com o SAC, pelo telefone (21) 2491-1858, para agendar a retirada.
Em nota, o Shopping Tijuca informou que aproximadamente 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança no dia do incêndio e que todos os equipamentos e protocolos exigidos por lei estavam disponíveis. O estabelecimento declarou que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão da investigação para conhecer oficialmente as causas do fogo.
“A retomada das operações ocorrerá somente após a conclusão de todos os procedimentos de perícia e vistoria pelos órgãos competentes”, disse o shopping em trecho da nota.






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