Investigação não confirma se incêndio no Shopping Tijuca começou em aparelho de ar-condicionado

Polícia Civil confirma que fogo começou em loja de decoração no subsolo e aponta cenário ainda instável para avanço das investigações

Na tarde desta terça-feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deu início à fase preliminar da perícia que busca esclarecer as causas do incêndio ocorrido no Shopping Tijuca, na Zona Norte da cidade. O fogo, registrado na última sexta-feira, deixou duas pessoas mortas e provocou danos significativos em diferentes áreas do centro comercial.

Segundo reportagem do jornal Extra, a primeira constatação dos peritos indica que o incêndio teve início na loja de decoração Bell’Art, localizada no subsolo do shopping. Apesar da confirmação do ponto de origem, as equipes ainda precisam aprofundar a análise técnica para determinar o que provocou as chamas. A principal hipótese até o momento é uma pane em um aparelho de ar-condicionado, possibilidade que segue sob investigação.

As apurações estão sob responsabilidade da 19ª DP (Tijuca). A delegada adjunta Maíra Rodrigues, uma das responsáveis pelo inquérito, acompanhou os trabalhos de campo ao lado dos peritos. A equipe permaneceu cerca de uma hora no interior do shopping, entre 15h30 e 16h30, realizando uma avaliação inicial das condições do local.

Primeiras medidas da perícia

Nesta etapa preliminar, o trabalho dos peritos foi voltado ao reconhecimento da área atingida e à delimitação dos espaços que precisarão ser preservados para a continuidade da investigação. Foram interditadas a loja Bell’Art, seu entorno imediato e também a região do primeiro piso acima do estabelecimento, incluindo mais de dez unidades comerciais.

Segundo a delegada, as interdições realizadas pela perícia se somam às já determinadas pela Defesa Civil, ampliando o isolamento de áreas consideradas sensíveis para a apuração técnica.

Estrutura instável e avanço condicionado das investigações

De acordo com Maíra Rodrigues, o cenário encontrado dentro do shopping ainda impõe riscos e limitações ao trabalho técnico. A falta de estabilidade estrutural impede, neste momento, uma análise mais aprofundada no interior da loja onde o incêndio começou.

A necessidade de um projeto específico de engenharia, que deverá ser aprovado pelos órgãos competentes antes do início das obras de estabilização, faz com que não haja previsão para a liberação total da área aos peritos. Somente após essa etapa será possível avançar de forma mais detalhada na identificação das causas do incêndio.

Calor extremo e ambiente hostil

A delegada também relatou as condições adversas enfrentadas pela equipe durante a inspeção inicial. Mesmo dias após o incêndio, o local ainda apresenta temperaturas elevadas e sinais intensos de destruição.

“Encontramos uma dificuldade para acessar a loja, onde os peritos constataram que a temperatura próximo ainda é muito alta, chegando a 70ºC. O calor estava muito intenso. Toda a região da loja e ao redor está muito destruída e ainda com presença de fumaça e fuligem. Com certeza, ali tinha muito material que contribuiu para a combustão”.

As características do ambiente reforçam a complexidade da perícia e indicam que o processo de investigação deverá se estender por um período mais longo. Até a conclusão dos laudos técnicos, as causas definitivas do incêndio permanecerão em apuração pela Polícia Civil.

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