Perícia no Shopping Tijuca começa nesta terça para apurar causas de incêndio

Subsolo e 17 lojas do térreo seguem interditados pela Defesa Civil após danos estruturais; não há previsão de reabertura do shopping

A Polícia Civil inicia na tarde desta terça-feira (6) a perícia técnica no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, para determinar as causas do incêndio ocorrido na última sexta-feira (2). A tragédia resultou na morte do supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes, além de deixar três feridos e provocar a interdição do subsolo e de 17 lojas do térreo.

Os trabalhos serão conduzidos por agentes da 19ª DP (Tijuca) após a liberação do local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Desde o dia da tragédia, o centro comercial permanece fechado ao público e ainda não há previsão de reabertura.

De acordo com a delegada adjunta da 19ª DP, Maíra Rodrigues, o laudo pericial é a etapa fundamental para identificar a origem do fogo.

“A gente precisa estabelecer o ponto focal do incêndio e a causa do incêndio. Até agora temos hipóteses, mas não podemos concluir de forma técnica. Só a peça técnica pode determinar o ponto inicial”, afirmou ao G1.

Segundo a investigação, o incêndio teve início em uma loja de decoração localizada no subsolo. A principal hipótese considerada até o momento é de que as chamas tenham começado no sistema de refrigeração do estabelecimento.

Polícia vai ouvir superintendente e chefe dos brigadistas

Além da perícia, a Polícia Civil realiza nesta terça a tomada de depoimentos de testemunhas tratadas como peças-chave do inquérito. Devem ser ouvidos o superintendente do shopping, o chefe da equipe de brigadistas e um dos feridos no incêndio, que segue internado no Hospital Souza Aguiar.

A delegada informou que o dia é decisivo para esclarecer as circunstâncias do caso. “Vamos fazer oitivas de peças fundamentais que vão trazer informações sobre as circunstâncias do incêndio, se havia protocolo para a evacuação, se tinha licença, como foi a circunstância de entrada e de acionamento dos brigadistas. Queremos saber se houve eventual negligência, falha humana ou falha técnica”, explicou.

A delegacia já requisitou imagens das câmeras de segurança e documentação técnica do shopping para análise. Vídeos que circulam nas redes sociais também serão encaminhados à perícia para verificação de autenticidade antes de serem comparados com o material oficial.

Interdições e riscos estruturais

Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal realizou vistoria no prédio e interditou totalmente o subsolo por falta de condições seguras para permanência de pessoas. Os técnicos apontaram risco estrutural no mezanino da loja atingida, além de perigo de queda de revestimentos internos e desplacamento de partes do teto, piso e paredes. O órgão informou que não há risco de desabamento do edifício.

Cerca de 40 veículos de clientes continuam presos no estacionamento do shopping. A administração orienta que os proprietários entrem em contato com o SAC, pelo telefone (21) 2491-1858, para agendar a retirada.

Em nota, o Shopping Tijuca informou que aproximadamente 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança no dia do incêndio e que todos os equipamentos e protocolos exigidos por lei estavam disponíveis. O estabelecimento declarou que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão da investigação para conhecer oficialmente as causas do fogo.

“A retomada das operações ocorrerá somente após a conclusão de todos os procedimentos de perícia e vistoria pelos órgãos competentes”, disse o shopping em trecho da nota.

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