Após quatro dias de interdição, a Avenida Maracanã, na Tijuca, Zona Norte do Rio, foi parcialmente liberada ao tráfego na manhã desta terça-feira (6). A liberação ocorreu no sentido Centro, na altura da Rua Barão de Mesquita, trecho que permanecia fechado desde a última sexta-feira (2) por conta do incêndio de grandes proporções que atingiu o Shopping Tijuca e deixou duas pessoas mortas.
Com a reabertura da via principal, o desvio que direcionava os motoristas para a Rua Barão de Mesquita também foi desfeito. No entanto, a Rua Engenheiro Enaldo Cravo Peixoto segue interditada, já que o Corpo de Bombeiros continua atuando no trabalho de rescaldo dentro do centro comercial.
Imagens que circulam nas redes sociais revelam a extensão dos danos, especialmente na entrada da Avenida Maracanã e no subsolo do shopping, que ficaram bastante comprometidos pela ação do fogo. Assista:
Vistoria
Na tarde de segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal realizou uma vistoria técnica no térreo e no subsolo do shopping, após a liberação prévia dos Bombeiros.
De acordo com o órgão, os técnicos identificaram risco estrutural no mezanino da loja onde o incêndio teve início, a Bell’Art, que comercializa artigos de decoração, além de perigo de queda de revestimentos e desplacamento de partes do teto e do piso.
O subsolo do Shopping Tijuca foi totalmente interditado, sem previsão de liberação, devido à falta de condições seguras para permanência de pessoas.
Já no térreo, 17 lojas localizadas na lateral esquerda — entre a entrada principal da Avenida Maracanã e a loja Tok&Stok — também foram interditadas. Segundo a Defesa Civil, o calor intenso das chamas provocou deformações no piso dessa área.
Ainda conforme a vistoria, não foi constatado risco estrutural nas demais lojas do térreo e do subsolo que não foram diretamente afetadas pelo incêndio.
Queda no movimento
Com as interdições mantidas na segunda-feira (5), os reflexos no comércio já começaram a ser sentidos.
De acordo com o presidente da Associação Empresarial e de Moradores Nova Tijuca, João Alberto, a queda no movimento foi perceptível ao longo do fim de semana, especialmente devido às orientações das autoridades para evitar a área afetada.
“A questão de queda de movimento, a gente está começando a apurar hoje com os comerciantes, mas no final de semana aconteceu sim, até por um pedido das autoridades, as pessoas não ficaram ali no entorno, a fumaça estava atrapalhando”, afirmou.
Evacuação
Em nota, a administração do Shopping Tijuca informou que cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança no dia do incêndio e que todos os equipamentos e protocolos exigidos por lei foram cumpridos.
Segundo o comunicado, a brigada do shopping conseguiu retirar o público do subsolo em poucos minutos e, em cerca de 30 minutos, todas as pessoas já haviam deixado o local sem tumultos.
O shopping afirmou ainda que conta com 11 saídas de emergência e que tem prestado assistência às famílias das vítimas: a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes e o supervisor de brigada Anderson Aguiar do Prado, mortos durante o combate às chamas. A administração destacou que os dois atuaram de forma decisiva para preservar vidas.

A administração informou que não há, até o momento, atualização sobre o prazo para o encerramento das atividades nem previsão para a reabertura do shopping. A retomada das operações, segundo o comunicado, só ocorrerá após a conclusão das perícias e das vistorias dos órgãos competentes.
Investigações
A investigação está em andamento na 19ª DP (Tijuca). Segundo a Polícia Civil, a perícia foi realizada no local e os peritos analisam as informações. Testemunhas já estão sendo ouvidas.
“Agentes realizam outras diligências para apurar as circunstâncias do incêndio”, diz a nota.
Veja a nota completa
“O Shopping Tijuca informa que, após o incêndio na loja Bell’Art, nosso time conseguiu evacuar cerca de 7 mil pessoas com total segurança. Os equipamentos para combate a incêndios exigido por legislação estavam disponíveis e todos os protocolos de emergência foram cumpridos, inclusive com acionamento de sirenes.
A brigada do shopping atuou de forma rápida, conseguindo evacuar a loja e o andar onde ela se encontrava (subsolo) em poucos minutos, até a chegada dos bombeiros. Em aproximadamente 30 minutos, todas as pessoas tinham sido retiradas em segurança, sem tumultos ou ferimentos decorrentes de correria.
Os esforços foram coordenados pela brigada, funcionários, equipe de segurança e bombeiros, que atuaram de forma ativa na orientação do público. O Shopping Tijuca conta com 11 pontos de saída de emergência, além de portarias e rotas de fuga dimensionadas e aprovadas conforme as normas técnicas e exigências do Corpo de Bombeiros.
Desde o primeiro momento, nossa prioridade tem sido dar toda a assistência às famílias da brigadista Emellyn Aguiar e do supervisor de mall Anderson Paiva, além de apoiar nossos colaboradores envolvidos. Eles são heróis e, junto ao time, foram fundamentais para que muitas vidas fossem preservadas.
Todas as ações foram conduzidas com atuação técnica, rápida e decisiva do Corpo de Bombeiros, que liderou a operação no local, contando com total suporte e cooperação do shopping para garantir a segurança das pessoas e a eficiência dos trabalhos. O shopping mobilizou:
- 40 equipamentos adicionais de ventilação e exaustão de fumaça, trazidos com o apoio de shoppings parceiros da região;
- 10 bombas para drenagem;
- 2 retroescavadeiras para auxiliar em aberturas de pontos de acesso e intervenções externas nas paredes do shopping;
- Rede de sprinklers e hidrantes que abrange todo o empreendimento;
- Pontos de alimentação elétrica;
- Abastecimento contínuo de água, inclusive com caminhões pipa, permitindo que os bombeiros pudessem atuar com mais agilidade e segurança.
Até o momento, no entanto, não há atualização sobre o prazo para encerramento dessas atividades nem previsão para a reabertura do shopping. A retomada das operações ocorrerá somente após a conclusão de todos os procedimentos de perícia e vistoria pelos órgãos competentes. É um trabalho árduo e minucioso, com o objetivo de garantir a segurança total para o retorno das operações.
As causas do incêndio no mezanino da loja Bell’Art, que funcionava no subsolo, serão conhecidas após a investigação policial e o shopping permanece à inteira disposição das autoridades para colaborar”.






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