A impossibilidade de realização da perícia técnica no Shopping Tijuca, quatro dias após o incêndio que atingiu uma loja do centro comercial, levou o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) a anunciar a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para apurar as circunstâncias do caso e as responsabilidades envolvidas.
Na terça-feira (06), os investigadores revelaram a temperatura no interior do estabelecimento ainda girava em torno de 70 graus, o que inviabilizou o avanço dos trabalhos. Diante do cenário, Knoploch, que já encaminhou ofícios ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil solicitando informações detalhadas sobre o incêndio, afirmou que a CPI deverá ser protocolada assim que terminar o recesso legislativo.
Perícia impedida pelo calor
Os agente chegaram a acessar o local, mas constataram a inexistência de condições mínimas de segurança para alcançar o ponto apontado como possível foco inicial do fogo. A área mais crítica está localizada próxima ao depósito da loja atingida, onde o calor intenso impediu qualquer aproximação e obrigou a suspensão dos trabalhos técnicos.
A Polícia Civil informou que a perícia é considerada etapa fundamental para identificar a origem do incêndio e que só poderá ser concluída após a liberação completa da área pelos órgãos responsáveis.
Articulação para CPI
Morador da região da Tijuca, Knoploch afirmou que pretende ouvir gestores do shopping, responsáveis técnicos e testemunhas. Caso a CPI seja instalada, os primeiros contatos deverão ocorrer por meio de convites. Se não houver comparecimento, os envolvidos poderão ser convocados formalmente para prestar depoimento.
Knoploch já presidiu a CPI dos Incêndios que apurou o caso ocorrido no Ninho do Urubu, cujo relatório foi encaminhado ao Ministério Público. Segundo o deputado, mesmo antes do retorno das atividades legislativas, ele decidiu acionar formalmente a administração do shopping e as autoridades competentes.
Avanço das investigações
A primeira constatação indica que o incêndio teve início na loja de decoração Bell’Art, localizada no subsolo do shopping. O fogo resultou na morte do supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes, além de deixar três pessoas feridas.
O subsolo e 17 lojas do térreo foram interditados, e o centro comercial permanece fechado ao público, sem previsão de reabertura. As investigações estão sob responsabilidade da 19ª DP (Tijuca), que aguarda a liberação do local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil para dar continuidade à perícia.
Riscos estruturais e posicionamento do shopping
Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal do Rio de Janeiro interditou totalmente o subsolo do shopping após vistoria técnica. Os agentes apontaram risco estrutural no mezanino da loja atingida, além de perigo de queda de revestimentos internos e desplacamento de partes do teto, piso e paredes. O órgão informou, no entanto, que não há risco de desabamento do edifício.
Cerca de 40 veículos de clientes continuam retidos no estacionamento. A administração orienta que os proprietários entrem em contato com o serviço de atendimento para agendar a retirada.






Deixe um comentário