Sergio Moro inicia oficialmente hoje a sua carreira política formal, tendo sido político, de fato, ao longo dos últimos anos. E entra na arena eleitoral sob a marca de muitas acusações. Quer ser presidente e quer, também, salvar a Lava Jato e a sua reputação pessoal.
Como juiz, Moto é considerado responsável por comportamento parcial e faccioso e por politizar as suas decisões. Por causa disso, foi condenado pelo STF, por suspeição, e teve todas as suas sentenças contra Lula anuladas e consideradas inválidas.
Pesa contra ele, ainda, a comprovação, por meio de gravações de mensagens de celular, de ter comandado, com instruções diretas, a equipe de procuradores da república da força tarefa que conduziu a operação Lava Jato.
Este tipo de comportamento – o juiz de um processo agir em conjunto com os acusadores, e orientá-los contra o réu, em vez de manter equidistância das partes envolvidas – é terminantemente vedado à magistratura.
O então juiz orientou a inclusão de provas contra réu, sugeriu testemunha que poderia colaborar contra Lula, mandou alterar a ordem das fases da Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.
Moro determinou uma condução coercitiva de Lula, com características de espetáculo midiático, quando ainda não tinha convocado o ex-presidente para prestar depoimento.
Moro também foi desmascarado por ter cometido ilegalidades que interferiram abertamente na política partidária, o que também é vedado a um juiz.
O fez, por exemplo, quando entregou à Rede Globo de Televisão a gravação de uma conversa da então presidenta Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, para criar a impressão de que a nomeação de Lula ao ministério da Casa Civil era uma artimanha.
Com tal gesto, cometeu pelo menos duas ilegalidades: vazar uma conversa da presidente da República sem autorização do STF, o que constitui crime, e omitir deliberadamente pelo menos outras 10 gravações de conversas de Lula com políticos, nos mesmos dias, em que ele dizia que não concordava com a ideia de virar ministro, mas havia aceitado o convite apenas para tentar, com sua experiência como negociador, apaziguar a crise política.
Outra ação política-partidária considerada indevida de Moro foi liberar para a imprensa, na semana da eleição de 2018, quando Bolsonaro e o candidato do PT disputavam acirradamente a presidência, a íntegra de uma delação premiada de Antônio Palocci acusando Lula e o seu partido de atos ilegais.
Aquela delação tinha mais de três meses e já havia sido rejeitada até mesmo pela força tarefa da Lava Jato, por absoluta falta de provas. Sua divulgação, às vésperas do pleito, teve como objetivo flagrante apenas prejudicar a imagem do PT e do seu candidato juntos aos eleitores e interferir no resultado do pleito, objetivo de fato alcançado.
A atuação política de Moro ficou cabalmente demonstrada quando Bolsonaro, uma vez eleito, imediatamente o convidou para ser o seu ministro mais importante, junto com Paulo Guedes, o que o juiz aceitou, sem abandonar a magistratura, porque o presidente eleito anunciou publicamente que o nomearia ministro do STF, tão logo fosse aberta uma vaga na Corte.
Hoje rompido com Bolsonaro, depois de ter sido um dos grandes responsáveis por sua eleição, Moro quer ser visto pelo eleitor como antibolsonaro, o que só se tornou por ter sido maltratado pelo presidente e praticamente forçado a deixar ao governo.
É com esta biografia recente que, com o ato de filiação do Podemos, nesta quarta-feira (10), Sergio Moro, pretende abrir caminho a sua candidatura à presidência da República.
A filiação de Moro ao Podemos, marcada para um dos principais centros de convenções de Brasília, é organizada com a pretensão de ser um ato político amplo, com a presença de nomes de outros partidos, apoiadores e militantes lava-jatistas.
Um dos que confirmaram presença é o general e ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz.
Sergio Moro pretende se credenciar como o candidato que vai ressuscitar as teses da Operação Lava Jato, que embora tenha sido desmascarada e desmoralizada por inúmeras denúncias, inclusive acolhidas pelo STF, ainda tem simpatizantes na imprensa e em setores de direita da sociedade.
Movimentos que apoiaram a Operação Lava Jato e políticos de centro-direita e direita que tentam articular a chamada terceira via para as eleições de 2022 foram convidados para o ato de filiação.





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