Seguindo modelo de São Januário, Câmara apresenta plano para modernizar Laranjeiras e CT do Fluminense

Proposta permite venda de potencial construtivo para custear obras de até R$ 300 milhões; projeto inclui reformas do estádio histórico e compra de terrenos vizinhos na Barra

A Câmara do Rio apresentou, nesta terça-feira (18), o projeto de lei que promete tirar do papel a revitalização do Estádio das Laranjeiras e a expansão do Centro de Treinamento Carlos Castilho. A proposta, entregue à diretoria do Fluminense pelo presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), e pelo vereador Flávio Valle (PSD), replica a engenharia financeira que vai viabilizar a reforma de São Januário, do Vasco.

O mecanismo é a Operação Urbana Consorciada (OUC). Na prática, o texto autoriza o Fluminense a vender até 103 mil metros quadrados de potencial construtivo — o direito de construir acima do limite padrão em determinadas áreas da cidade.

Quem comprar esse potencial poderá erguer prédios maiores em regiões incentivadas, como a Avenida Brasil, a Linha Amarela e a Zona Sudoeste. O dinheiro arrecadado com essa venda vai direto para um fundo exclusivo do clube, garantindo as obras sem uso de verba direta dos cofres públicos. A estimativa é que a operação levante entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões.

Sintético e arena multiuso

O plano para a sede histórica na Zona Sul é ambicioso. O Estádio Manoel Schwartz, berço do futebol brasileiro, passará por uma modernização completa. O projeto prevê a restauração das arquibancadas e a construção de uma nova estrutura coberta, elevando a capacidade para cerca de 6.300 torcedores.

A grande novidade será a instalação de gramado sintético com sistema de drenagem moderno, permitindo que o local receba shows e eventos sem danificar o campo, transformando o estádio em uma arena multiuso rentável. O pacote inclui ainda nova iluminação, praças de alimentação e a modernização da sede social.

CT vai crescer

Na Barra da Tijuca, o foco é expansão. Os recursos da operação permitirão ao Fluminense comprar terrenos vizinhos ao CT Carlos Castilho. A estratégia é construir novos campos para levar as categorias de base, que hoje treinam em Xerém, para junto do time profissional, facilitando a integração.

O projeto também contempla a construção de novos alojamentos, cozinha central, reforma das áreas de saúde e melhorias no entorno, como urbanização das vias de acesso e iluminação pública.

Contrapartida para o município

O texto prevê ainda que, obrigatoriamente, ao menos 6% dos recursos arrecadados sejam investidos em melhorias urbanísticas no entorno do estádio, como recuperação de calçadas e arborização.

Para acessar os recursos, o clube precisará criar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), que será fiscalizada por um conselho consultivo com membros da prefeitura, Câmara e associações de moradores. A OUC terá validade de 10 anos após a publicação da lei.

Previsão é que o plano saia do papel no ano que vem

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, celebrou a iniciativa como um ato de justiça com a história do clube, lembrando que o estádio diminuiu nos anos 1960 para obras viárias — com a capacidade caindo pela metade.

A expectativa da diretoria é que, vencida a burocracia legislativa e a venda do potencial, as obras possam começar em 2026, com conclusão prevista para 2029.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading