Trump diz que EUA podem assumir controle de Cuba ‘quase imediatamente’

Declaração durante evento na Flórida ocorre em meio a novas sanções e aumento da tensão com o governo cubano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o país poderá assumir o controle de Cuba “quase imediatamente”. A declaração foi feita durante um jantar em Palm Beach, na Flórida, enquanto cumprimentava convidados em um evento.

A fala ocorreu de forma descontraída, ao mencionar o ex-deputado Dan Mica. “E ele vem originalmente de um lugar chamado Cuba, que iremos tomar o controle quase imediatamente”, disse Trump. De acordo com o jornal The Guardian, a plateia reagiu com risos após o comentário.

Declarações sobre possível ação

Na sequência, o presidente voltou a mencionar a situação na ilha caribenha, afirmando que o país enfrenta dificuldades. Ele indicou, no entanto, que outras prioridades internacionais podem ser tratadas antes de qualquer ação.

“O que faremos, na volta do Irã , é enviar um dos nossos grandes navios, talvez o porta-aviões USS Abraham Lincoln, o maior do mundo, para atracar a uns cem metros da costa e eles [de Cuba] dirão: ‘Muito obrigado, nos rendemos’”, declarou.

Trump não detalhou como uma eventual ação ocorreria, nem confirmou se o comentário refletia um plano concreto. Procurada, a Casa Branca não respondeu a questionamentos da emissora Fox News sobre o teor da fala.

Novas sanções contra Cuba

No mesmo dia, o governo dos EUA anunciou a ampliação de sanções contra Cuba, com o objetivo de aumentar a pressão econômica sobre o país. As medidas incluem restrições a bancos estrangeiros que mantêm relações com o governo cubano, além de limitações migratórias.

O decreto também prevê sanções a indivíduos e entidades ligadas a setores estratégicos, como energia e mineração, além de punições a pessoas acusadas de “graves violações dos direitos humanos”.

A política de pressão econômica se soma ao embargo vigente desde 1962 e reforça a posição histórica de Washington de buscar mudanças no regime cubano.

Reação do governo cubano

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou as novas medidas e classificou as ações dos Estados Unidos como ilegais.

“O governo dos Estados Unidos se alarma e responde com novas medidas coercitivas unilaterais ilegais e abusivas contra Cuba”, escreveu em publicação na rede X, ao mencionar também uma mobilização convocada para o Dia do Trabalhador em defesa do país.

Crise econômica e tensão diplomática

A ilha enfrenta uma crise econômica profunda, agravada pelo endurecimento das sanções nos últimos anos, dificuldades estruturais internas e uma reforma monetária que não atingiu os resultados esperados. Setores importantes da economia, como turismo e mineração, registram forte retração.

Apesar do cenário de tensão, os dois países mantêm canais diplomáticos abertos. Em 10 de abril, autoridades participaram de reuniões em Havana, incluindo um encontro entre um representante estadunidense e Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-líder Raúl Castro.

Com cerca de 9,6 milhões de habitantes, Cuba atravessa um período de paralisação econômica em diferentes áreas, enquanto o impasse com os Estados Unidos segue como um dos principais fatores de instabilidade para o país.

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