Spirit Airlines cancela todos os voos nos EUA e anuncia fim das operações

Colapso da aérea de baixo custo ocorre após fracasso em negociações e alta do combustível durante conflito com o Irã

A companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines anunciou o cancelamento de todos os seus voos a partir deste sábado (2), em meio ao processo de falência e ao fracasso de negociações para evitar o encerramento das atividades. Em comunicado divulgado na madrugada, a empresa orientou passageiros a não se dirigirem aos aeroportos.

“Todos os voos da Spirit foram cancelados e os passageiros da Spirit não devem se dirigir ao aeroporto”, informou a companhia.

A decisão veio após uma reunião do conselho realizada na sexta-feira (1º), que terminou sem acordo para salvar a empresa, segundo uma fonte ouvida pela agência Reuters. Até então, ainda havia expectativa de uma solução que permitisse a continuidade das operações.

Encerramento e impacto no setor

O colapso da Spirit deve resultar em milhares de demissões e representa a primeira falência de uma companhia aérea nos Estados Unidos, em parte, associada à disparada no preço do combustível de aviação durante a guerra com o Irã, iniciada há cerca de dois meses.

A empresa, que chegou a responder por cerca de 5% dos voos no país, desempenhava papel relevante na oferta de tarifas mais acessíveis, pressionando concorrentes em diferentes mercados.

O encerramento também é visto como um revés para o presidente Donald Trump, que havia proposto um pacote de US$ 500 milhões para tentar salvar a companhia, enfrentando resistência dentro do próprio campo político.

Tentativas frustradas de resgate

O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que buscou alternativas no mercado para viabilizar a venda da companhia, mas não encontrou interessados.

“O que alguém compraria?”, questionou.

“Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?”, pontuou Duffy.

Um credor envolvido nas negociações também indicou que os esforços para reverter a situação não tiveram sucesso.

“O governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode dar vida a um cadáver. Diante disso, a empresa deve deixar claras suas intenções pelo bem de clientes e funcionários”, afirmou.

Um porta-voz da empresa se recusou a comentar as tratativas em andamento.

Plano de encerramento

A expectativa é de que a Spirit conduza um processo ordenado de fechamento, suspendendo voos durante a noite, reposicionando aeronaves para devolução e liberando tripulações gradualmente.

Paralelamente, o governo dos EUA iniciou contatos com outras companhias aéreas para acomodar passageiros afetados. Empresas como United Airlines, American Airlines, Frontier Airlines e JetBlue Airways informaram que se preparam para absorver a demanda.

Empregos e impacto econômico

A presidente da Associação de Comissários de Bordo, Sara Nelson, afirmou que o fechamento pode eliminar quase 20 mil empregos. Segundo ela, o destino da companhia esteve diretamente ligado às decisões do governo federal.

O plano de resgate chegou a incluir um financiamento de US$ 500 milhões em troca de uma participação de até 90% da empresa, mas divergências internas e a falta de consenso entre credores impediram a aprovação da proposta.

Alta do combustível agravou crise

A Spirit vinha negociando um acordo para sair da recuperação judicial até meados de 2026, mas a elevação dos custos operacionais inviabilizou o plano. A companhia projetava pagar cerca de US$ 2,24 por galão de combustível em 2026, mas o valor subiu para aproximadamente US$ 4,51 até o fim de abril, mais que o dobro do previsto.

A escalada dos preços, impulsionada pelo cenário internacional, agravou a crise financeira e acelerou o processo de encerramento das atividades.

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