A crise política nos Estados Unidos começa a afetar diretamente o transporte aéreo. Nesta sexta-feira (7), a Administração Federal de Aviação (FAA) iniciou a redução do tráfego aéreo em todo o país, consequência do shutdown governamental que chega ao 38º dia, o mais longo da história dos EUA.
Cerca de 4% das operações dos 40 maiores aeroportos foram suspensas, resultando em centenas de cancelamentos de voos. Caso o impasse entre o governo Donald Trump e o Congresso continue, o número de cancelamentos pode dobrar até a próxima sexta-feira (14), com uma redução de até 10% nas atividades aéreas.
Voos internacionais seguem, mas com riscos para conexões
Por enquanto, a medida não afeta voos internacionais, como os que partem do Brasil para os Estados Unidos. No entanto, brasileiros que fizerem conexões dentro do país podem enfrentar atrasos e cancelamentos nas próximas semanas.
As principais companhias aéreas — Delta Air Lines, United Airlines, American Airlines e Southwest Airlines — já anunciaram cancelamentos preventivos de centenas de voos para este fim de semana, em uma tentativa de evitar colapsos nos terminais.
“Estamos observando sinais de sobrecarga no sistema, por isso estamos reduzindo proativamente o número de voos para garantir que o povo americano continue voando com segurança”, afirmou o administrador da FAA, Bryan Bedford, em comunicado do Departamento de Transportes.
Controladores sem salário e fadigados
A decisão de restringir as operações foi motivada pela redução de equipes nos aeroportos. Muitos controladores de voo continuam trabalhando, mas sem receber salário desde o início do shutdown. A FAA relatou aumento de queixas sobre exaustão e jornadas prolongadas.
“À medida que analisamos os dados com mais detalhes, vemos pressões se acumulando de uma forma que, se permitirmos que continuem sem controle, não nos permitirá afirmar ao público que operamos o sistema de aviação mais seguro do mundo”, explicou Bedford.
Segundo representantes da Casa Branca, a medida é uma forma de preservar a segurança enquanto o governo tenta conter o impacto da paralisação em setores essenciais.
O impasse político que paralisa o país
O shutdown começou em 1º de outubro, quando o Congresso não conseguiu aprovar o orçamento federal. No dia seguinte, a Casa Branca iniciou cortes de pessoal em diversas agências públicas, afetando desde serviços ambientais até programas de assistência social.
Em 10 de outubro, o presidente Donald Trump declarou que pretendia “demitir muitos” servidores que, segundo ele, seriam alinhados ao Partido Democrata. Mesmo após uma decisão judicial suspender novas demissões, o governo manteve o plano de enxugamento e indicou que os desligamentos podem chegar a 10 mil funcionários se o impasse persistir.
O bloqueio político em Washington tornou-se ainda mais profundo. Republicanos e democratas trocam acusações sobre a responsabilidade pelo colapso administrativo, que já paralisa programas federais e ameaça o ritmo da economia da maior potência do planeta.
Servidores sem salário e incerteza sobre pagamentos
Com mais de um milhão de servidores sem receber, o shutdown ultrapassou o recorde anterior — também ocorrido durante a gestão Trump. Parte desses trabalhadores é obrigada a continuar em serviço, enquanto outros estão em licença não remunerada, sem previsão de retorno.
Embora uma lei determine o pagamento retroativo após o fim da paralisação, o governo ainda não confirmou se aplicará a regra nesta nova crise. Trabalhadores terceirizados, como faxineiros de museus, seguranças e motoristas contratados, não têm sequer essa garantia.
Enquanto o impasse político se arrasta, os efeitos começam a se espalhar para setores estratégicos do país, da aviação ao comércio, com previsões de perdas bilionárias caso a paralisação ultrapasse 45 dias.






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