A paralisação do governo dos Estados Unidos completou uma semana nesta terça-feira (7), sem sinal de avanço nas negociações entre a Casa Branca e o Congresso, informa o portal g1. O impasse sobre o orçamento federal paralisou serviços públicos, deixou servidores sem pagamento e já causa reflexos diretos no transporte aéreo. Segundo a Administração Federal de Aviação (FAA), aeroportos em cidades como Las Vegas, Denver e Newark registraram atrasos significativos desde segunda-feira (6).
Atrasos e falta de pessoal
De acordo com a FAA, a escassez de controladores de tráfego aéreo e agentes de segurança tem comprometido a operação normal dos aeroportos. Cerca de 13 mil controladores e 50 mil agentes da Administração de Segurança no Transporte (TSA) continuam trabalhando, mas sem receber salários desde o início do shutdown. A previsão é que o primeiro pagamento perdido ocorra no próximo dia 14.
O secretário de Transportes, Sean Duffy, alertou para o aumento das ausências entre controladores desde o início da paralisação. Segundo ele, em algumas regiões o número de profissionais disponíveis chegou a cair pela metade.
Dados do portal FlightAware indicam que mais de 4 mil voos foram afetados na segunda-feira. Em Denver, 29% dos pousos registraram atraso; em Newark, 19%; e em Las Vegas, 15%. Além da escassez de pessoal, o mau tempo contribuiu para a lentidão nas operações.
Risco de paralisação total em aeroportos menores
A situação pode se agravar nos próximos dias. De acordo com a imprensa dos EUA, o fundo que subsidia voos regionais e operações em aeroportos de pequeno porte pode ficar sem recursos a partir de domingo (12), o que deixaria diversas cidades sem transporte aéreo.
O grupo Airlines for America, que representa companhias como United, Delta, American e Southwest, alertou que o sistema “pode precisar desacelerar” enquanto durar a suspensão de repasses, o que deve afetar a eficiência e o fluxo de passageiros em todo o país.
O problema se soma à carência estrutural de pessoal na FAA, que opera com cerca de 3,5 mil controladores a menos do que o necessário. Muitos deles já enfrentam jornadas de seis dias por semana e horas extras obrigatórias.
Trump endurece disputa com democratas
O presidente Donald Trump tem usado o setor de transportes como uma das frentes de pressão política durante o shutdown. O governo suspendeu mais de US$ 28 bilhões em repasses para programas de transporte e infraestrutura em estados governados por democratas, como Nova York e Illinois. Os cortes atingem projetos de metrôs, túneis, sistemas de transporte público e iniciativas ambientais.
O embate com a oposição repete um cenário vivido em 2019, quando a paralisação anterior do governo durou 35 dias. Naquele ano, o aumento das faltas entre controladores e agentes da TSA forçou a redução de voos na área de Nova York e pressionou o Congresso a aprovar o orçamento. Na época, a então presidente da Câmara, Nancy Pelosi, afirmou que a paralisação estava “levando o espaço aéreo ao limite”.
O impasse no Congresso
O shutdown ocorre sempre que o Congresso não aprova o orçamento federal necessário para manter o governo funcionando. Sem autorização para gastar, parte dos serviços públicos é suspensa, funcionários considerados não essenciais são colocados em licença e outros seguem trabalhando sem receber, com pagamento retroativo garantido apenas após o fim da crise.
O prazo para votação do orçamento terminou às 23h59 de 30 de setembro. No Senado, são necessários 60 votos para a aprovação, mas o Partido Republicano, do presidente Trump, conta com apenas 53 cadeiras. Duas tentativas de votação fracassaram na segunda-feira.
O impasse atual gira em torno da exigência dos democratas de manter o financiamento ao programa de saúde conhecido como Obamacare, que subsidia planos médicos para milhões de estadunidenses. Os republicanos querem adiar a discussão, enquanto os democratas defendem a renovação imediata dos recursos para evitar que famílias de baixa renda enfrentem aumentos nos custos dos planos.
Com o orçamento travado, os efeitos da paralisação se espalham rapidamente, e o setor aéreo tornou-se o símbolo mais visível da crise política que paralisou Washington.






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