O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (12) um acordo histórico que encerra a mais longa paralisação do governo federal já registrada no país. O pacote, aprovado por 222 votos a 209, recompõe salários e benefícios de servidores e restabelece serviços públicos essenciais suspensos há 43 dias.
Apoio de Trump foi decisivo para aprovação
A sanção do presidente Donald Trump é esperada ainda nesta quarta, segundo a Casa Branca. O texto havia sido aprovado pelo Senado na segunda (10) e garante o funcionamento do governo até 30 de janeiro. Apesar do acordo, a medida não resolve a disputa sobre os subsídios de saúde, principal ponto de divergência entre republicanos e democratas.
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, celebrou a aprovação do pacote, destacando a necessidade de “colocar o governo americano para trabalhar pelo povo novamente”. Johnson conseguiu a aprovação mesmo com a estreita maioria republicana na Casa.
Serviços públicos serão restabelecidos gradualmente
Com o fim do shutdown, os programas de assistência alimentar, o controle de tráfego aéreo e o pagamento de servidores serão retomados nos próximos dias. A paralisação afetou centenas de milhares de funcionários federais e prejudicou milhões de americanos que dependem de benefícios sociais, como o Programa de Assistência Nutricional Suplementar (Snap).
A Administração Federal de Aviação (FAA) chegou a ordenar a redução de voos em todo o país na semana passada devido à falta de controladores de voo.
Democratas se dividem e criticam concessões
Apesar do alívio, a decisão dividiu os democratas. Muitos parlamentares do partido acusaram seus senadores de cederem às pressões de Trump e dos republicanos. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, pediu voto contrário, afirmando que o acordo “falha em enfrentar a crise de saúde criada pelos republicanos”.
O entendimento prevê apenas uma nova votação sobre o tema dos subsídios em dezembro, sem garantia de avanço na Câmara.
Impasse político e desgaste para ambos os partidos
A paralisação superou o recorde anterior de 35 dias, ocorrido no primeiro mandato de Trump. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta quarta mostrou que metade dos americanos culpa os republicanos pelo impasse, enquanto 47% atribuem a responsabilidade aos democratas.
O congressista republicano David Schweikert, do Arizona, ironizou o prolongado embate: “Parece que vivi um episódio de Seinfeld. Passamos 40 dias nisso e ainda não sei qual era o enredo.”
Cenário fiscal segue desafiador
Com o novo acordo, o financiamento do governo é mantido até o fim de janeiro, mas o ritmo de expansão da dívida pública continua alto — já são US$ 38 trilhões, com aumento anual de cerca de US$ 1,8 trilhão.
O fim do shutdown representa um alívio momentâneo, mas o impasse político sobre gastos e políticas sociais promete voltar à pauta do Congresso americano nas próximas semanas.






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