Profissionais de saúde dos 92 municípios do Rio de Janeiro deverão receber treinamento específico para ampliar a atenção às mulheres durante o climatério e a menopausa. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (24) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), durante audiência pública na Assembleia Legislativa (Alerj), que discutiu as dificuldades de diagnóstico, tratamento e acolhimento enfrentadas por mulheres nessa fase da vida.
O anúncio ocorre diante de uma demanda que alcança milhões de brasileiras. Cerca de 30 milhões de mulheres vivem atualmente no período da menopausa e do climatério, segundo dado do IBGE apresentado na audiência por Adriana Ferreira, presidente do Instituto Menopausa Feliz.
Promovido pela Comissão de Saúde da Alerj, o encontro também cobrou a implementação da Lei 10.742/25, que estabelece capacitação de médicos para diagnóstico e tratamento do climatério e da menopausa no Estado do Rio.
Treinamento nos municípios
Coordenador da área técnica da Saúde da Mulher da Secretaria, Antonio Braga afirmou que a primeira iniciativa será direcionada às equipes municipais de Atenção Primária à Saúde. “Em um mês, vamos promover um webinário com os 92 municípios sobre Atenção Primária à Saúde e treinar esse olhar mais sensibilizado voltado a essa questão”, assegurou.
Além da capacitação, a audiência definiu outros encaminhamentos. Entre eles estão a busca pela ampliação dos recursos destinados às políticas de saúde da mulher na Lei Orçamentária Anual (LOA) e o envio de um ofício ao Poder Executivo pedindo prioridade para a implementação dessas políticas.
Também foi defendida maior articulação entre agentes municipais, estaduais e federais, sobretudo no atendimento pela atenção básica às mulheres que apresentam demandas relacionadas ao climatério e à menopausa.
Presidente do Instituto Menopausa Feliz, Adriana Ferreira chamou atenção para a formação dos profissionais responsáveis pelo atendimento. Segundo ela, pesquisas do Conselho Federal de Medicina apontam que, entre aproximadamente 42 mil ginecologistas, apenas 12% a 15% teriam capacitação especializada em menopausa.
“Embora tenha código CID, a menopausa não é uma doença, mas é invisibilizada e negligenciada enquanto indicador social”, afirmou.
Atendimento multidisciplinar
Representante do Conselho Estadual de Saúde, Daniele Moretti defendeu que a atenção às mulheres nessa fase seja transformada em uma política permanente do Estado e ressaltou a importância das unidades básicas de saúde.
“É muito importante olhar para esse processo na sua forma multidisciplinar. As unidades básicas de saúde são a porta de entrada, então precisamos dialogar com os municípios. Não dá para chegarmos em 2026 e ainda vermos que a questão da saúde da mulher, principalmente em relação à menopausa e climatério, continua sendo invisibilizada”, declarou.
Preconceito e acolhimento
Chefe do ambulatório de climatério e menopausa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Juliana Risso destacou que a menopausa não representa o fim da vida produtiva da mulher e alertou para o preconceito enfrentado por pacientes que começam a apresentar sintomas durante a transição menopausal.
“Mulheres a partir de 35 anos que começam a sentir os sintomas são tachadas de loucas, mas essa fase é uma cascata metabólica que acontece no nosso organismo”, afirmou.
Também participaram da audiência a coordenadora de enfermagem da Maternidade da Rocinha, Zuleide Alzira de Santana; Nídia Meirelles, do projeto “A vida como ela é com endometriose”; a presidente da União Brasileira de Mulheres/RJ, Rafaela Pequeno; e representantes do Conselho Municipal de Saúde de Saquarema.







Deixe um comentário