A Prefeitura do Rio anunciou, nesta quinta-feira (14), que o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais da capital tem como principal objetivo ampliar o combate às fraudes tarifárias no sistema de transporte público. Durante coletiva realizada no Centro de Operações Rio (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere detalhou como funcionará a mudança, que passa a valer a partir do dia 30 de maio.
Além do prefeito, participaram da coletiva a assessora especial Maína Celidonio e a presidente da Mobi-Rio Claudia Secin.
Segundo o município, o sistema Jaé já atende cerca de 3 milhões de passageiros e conta com mais de 2 mil pontos credenciados para recarga em dinheiro. A prefeitura também reforçou que a retirada do pagamento em espécie dentro dos ônibus “não significa o fim do dinheiro no sistema Jaé”. Isso porque as recargas continuarão podendo ser feitas com dinheiro físico, caso o usuário prefira.
“Esses cartões sem identificação aumentam muito o risco de fraude no processo de integração. Como não têm associação com CPF, facilitam a ação daquele bandido que quer ganhar dinheiro em cima do cidadão que está pagando em dinheiro. Cada vez que isso acontece, o dinheiro público é impactado diretamente”, afirmou Cavaliere.
Sem risco de impacto no Turismo
Ainda segundo o prefeito, não há risco de impacto no Turismo, já que os turistas utilizam o cartão verde do Jaé. A diferença, daqui para frente, é que o cartão deixará de permitir a integração tarifária.
Para Cavaliere, a adaptação da população ao novo sistema dependerá da “organização social”. Segundo ele, outras cidades brasileiras já adotam modelos semelhantes.
“As pessoas vão precisar se organizar. Quem não tiver familiaridade pode pedir para o filho, para a filha, neto, sobrinha, para poder se organizar”, disse.
A prefeitura informou ainda que a linha 634 (Bananal x Saens Peña), na Ilha do Governador, será uma das primeiras a operar integralmente sem dinheiro em espécie. A linha, que passará a ser administrada pela Mobi-Rio a partir do dia 17 de maio, contará com 25 ônibus novos, climatizados e operação 24 horas.

Como vai funcionar?
Com a mudança, os ônibus municipais deixarão de aceitar dinheiro em espécie dentro dos veículos. O embarque passará a ser realizado exclusivamente pelo sistema Jaé ou pelo Riocard, neste último caso apenas para usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI).
A prefeitura, no entanto, destacou que o dinheiro continuará sendo aceito para compra de créditos nos pontos de recarga do sistema.
Atualmente, o Jaé possui mais de 2 mil pontos credenciados espalhados pela cidade, além de máquinas de autoatendimento em estações do BRT, VLT e em algumas unidades do metrô.
Quem poderá usar a integração?
De acordo com os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Transportes, 96,73% dos passageiros já utilizam diariamente o chamado cartão preto, modelo vinculado ao CPF e habilitado para integração tarifária. Segundo a prefeitura, nada muda para esse grupo.
Já 3,27% dos usuários ainda utilizam o cartão verde para integração. Nesse caso, será necessário migrar para o cartão preto para continuar tendo acesso ao benefício.
A prefeitura informou que o cartão verde continuará disponível para passageiros que não utilizam integração tarifária, como turistas e usuários ocasionais.
O que muda para turistas?
Segundo o município, turistas estrangeiros sem CPF poderão continuar utilizando o sistema por meio do cartão verde ou do aplicativo do Jaé. No entanto, não terão acesso à integração tarifária, já que o benefício exige identificação vinculada ao CPF.
A prefeitura explicou que o modelo foi estruturado para preservar os benefícios tarifários destinados aos moradores da cidade e usuários cadastrados.
Por que a prefeitura quer acabar com o dinheiro nos ônibus?
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, afirmou que a mudança busca aumentar a segurança dentro dos coletivos, reduzir o tempo de embarque e ampliar o controle operacional do sistema.
“As limitações do modelo com pagamento em dinheiro envolvem maior risco de assalto, embarque mais demorado e menor controle operacional. A transação em dinheiro não é auditável e ainda existe uma dupla função para os motoristas, que acabam exercendo também o papel de cobrador”, afirmou.
Segundo Arraes, apenas 9,2% dos passageiros ainda utilizam dinheiro em espécie nos ônibus municipais. Em 2015, esse índice era de 20%.
O secretário também destacou que um em cada três passageiros já utiliza exclusivamente o aplicativo do Jaé no dia a dia, sem necessidade de cartão físico.
“Em termos de benefícios para o cidadão, há redução do tempo de parada e um fluxo de embarque mais rápido. Acaba aquela situação de dar troco na hora de entrar. Também reduz a distração do motorista, que passa a ficar focado apenas em dirigir”, completou.
“Essa mudança já acontece em outras cidades. O Rio não é a primeira cidade a fazer isso. O Distrito Federal já implementou, Florianópolis também. Como metrópole, o Rio está na vanguarda em relação a isso”.
Arraes afirmou ainda que a retirada do dinheiro em espécie já foi implementada em outros sistemas de transporte do país, como no Distrito Federal e em Florianópolis, além de já funcionar em modais cariocas como BRT, VLT e metrô.
A prefeitura informou ainda que realizará campanhas de orientação aos passageiros e distribuição de cartazes dentro dos ônibus para informar sobre a mudança.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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