Uma descoberta inesperada feita no fundo da Baía de Guanabara chamou atenção de pescadores, historiadores e especialistas em patrimônio histórico nesta terça-feira (26). Durante uma ação ambiental em Magé, um pescador encontrou uma garrafa possivelmente datada do século XIX enterrada na lama da região próxima ao antigo porto da Estrada de Ferro Mauá.
O objeto foi localizado por Maicon Furtado, integrante do Projeto Águas da Guanabara, iniciativa criada para retirar resíduos sólidos da baía e recuperar áreas degradadas.
A região onde a peça apareceu é considerada histórica e possui proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Relíquia preservada
Apesar das condições adversas do local, a garrafa foi encontrada relativamente preservada. Segundo especialistas, o objeto possui características típicas das antigas garrafas de grés, uma cerâmica resistente muito utilizada no século XIX para armazenamento e transporte de líquidos.
Esse tipo de recipiente era amplamente empregado no comércio internacional da época e costumava ser importado de países europeus como Holanda e Alemanha.
As garrafas eram usadas principalmente para acondicionar bebidas alcoólicas, como gim, além de água mineral gaseificada durante longas viagens marítimas.
Área histórica
De acordo com o consultor histórico Jovane Vasconcelos Monteiro Filho, o achado possui importância simbólica para a história da região.
Segundo ele, a área está diretamente ligada ao início da modernização dos transportes no Brasil imperial.
A Estrada de Ferro Mauá entrou para a história por ser a primeira ferrovia do país, representando um marco logístico e econômico no século XIX.
O antigo porto localizado em Magé fazia parte desse sistema de integração entre transporte marítimo e ferroviário durante o período imperial.
Projeto ambiental
A descoberta aconteceu durante as atividades do Projeto Águas da Guanabara, ação coordenada por pescadores ligados à Colônia de Pescadores Z9.
Desde 2022, o grupo atua na remoção de resíduos sólidos espalhados pelos manguezais e pelo fundo da Baía de Guanabara.
Segundo os organizadores, mais de 2.300 toneladas de lixo já foram retiradas da região. Entre os materiais encontrados estão plásticos, móveis, eletrodomésticos e objetos descartados irregularmente.
A iniciativa passou a ganhar destaque também pelo surgimento ocasional de peças históricas escondidas sob a lama da baía.
Análise técnica
A garrafa encontrada será encaminhada para análise técnica especializada. O objetivo é confirmar a origem exata do objeto, além de determinar sua datação com maior precisão.
Especialistas avaliam que o artefato pode ajudar a reconstruir aspectos do comércio marítimo e da circulação de mercadorias na Baía de Guanabara durante o século XIX.






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