A definição do ministro André Mendonça como novo relator do inquérito que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal provocou apreensão em setores do Congresso Nacional, especialmente entre lideranças do chamado Centrão.
Segundo informa Gerson Camarotti em seu blog no portal g1, a avaliação nos bastidores é de que Mendonça deverá adotar uma condução considerada linha dura no andamento das investigações, sem impor restrições ao trabalho da Polícia Federal.
A redistribuição do caso ocorreu nesta quinta-feira (12), após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria. A mudança foi motivada pela repercussão de um relatório da PF que apontou menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Perfil legalista e independência
Embora seja descrito como um magistrado de perfil legalista, parlamentares avaliam que Mendonça não deverá demonstrar resistência em aprofundar apurações que eventualmente alcancem conexões políticas ligadas ao empresário investigado.
No Congresso, o ministro é visto como independente. Essa percepção remonta ao processo de sua indicação ao Supremo, feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
À época, a escolha enfrentou resistência de parte expressiva do Legislativo. O então presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, manteve a sabatina de Mendonça parada por cinco meses, em movimento interpretado como tentativa de inviabilizar a nomeação.
A demora gerou desgaste político e marcou o processo de aprovação do nome. A leitura predominante é que Mendonça conseguiu superar a resistência graças ao apoio consistente de lideranças evangélicas.
Impacto no Congresso
Diante desse histórico, interlocutores do Parlamento avaliam que o ministro não mantém vínculos políticos que possam interferir na condução do inquérito. Para integrantes do Centrão, isso amplia a possibilidade de avanço das investigações sem concessões.
A expectativa é de que o novo relator analise os desdobramentos do caso com base estritamente técnica, o que, na avaliação de congressistas, pode ampliar o alcance das apurações.
A mudança na relatoria ocorre em momento sensível para o Supremo, após semanas de repercussão envolvendo o caso Master e seus possíveis reflexos políticos.






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