Lula escolhe Teresa Leitão para liderar governo no Senado após saída de Jaques Wagner

Senadora do PT de Pernambuco assume articulação política da base governista em meio à investigação envolvendo Jaques Wagner e terá como prioridade projetos considerados estratégicos pelo Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado após a saída de Jaques Wagner (PT-BA) do posto. A escolha ocorre em um momento de reorganização da articulação política do Palácio do Planalto e busca reduzir os impactos provocados pela investigação da Polícia Federal que envolve o senador baiano.

A decisão foi anunciada por Lula por meio das redes sociais. Até a noite de quarta-feira, entretanto, o presidente ainda não havia conversado diretamente com Teresa Leitão para comunicar oficialmente a indicação.

Ao divulgar a escolha, Lula destacou as prioridades da nova líder no Congresso.

“Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros”, escreveu o petista.

Mudança na liderança

A nomeação ocorre após Jaques Wagner concordar em deixar a liderança do governo. O senador resistiu durante cinco dias, mas decidiu abrir mão da função depois de uma reunião de aproximadamente duas horas com Lula, realizada no Palácio da Alvorada.

O encontro teve como objetivo discutir os desdobramentos da investigação sobre a suposta atuação do parlamentar em favor do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”. A avaliação dentro do governo era de que a permanência de Wagner no cargo ampliava o desgaste político em um momento sensível para a administração federal e para a campanha de reeleição do presidente.

Após a conversa, o senador afirmou, também pelas redes sociais, que sua saída ocorreu de forma consensual.

Segundo Wagner, a decisão foi tomada de “comum acordo”, classificando o encontro com Lula como uma “conversa entre amigos”.

Nos bastidores, interlocutores do presidente afirmam que o próprio senador manifestou o desejo de deixar a liderança para concentrar esforços em sua defesa e evitar que a investigação continuasse produzindo efeitos negativos sobre o governo.

Os motivos da escolha

Entre os fatores que pesaram na decisão presidencial está o fato de Teresa Leitão não disputar eleição neste ano. Como está no meio do mandato, a senadora poderá dedicar-se integralmente à articulação política no Senado durante o período eleitoral.

Outra alternativa considerada por Lula era o senador Otto Alencar (PSD-BA). No entanto, o presidente avaliou que sua permanência na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é estratégica para a tramitação das principais propostas do governo.

O nome do ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), também chegou a ser cogitado. A avaliação no Palácio do Planalto, porém, foi de que o ministro precisará concentrar esforços na disputa eleitoral do Ceará no segundo semestre, diante do cenário considerado desafiador para a tentativa de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

Além desses fatores, pessoas próximas ao presidente afirmam que a experiência política de Teresa Leitão também influenciou a escolha. Aos 74 anos, ela cumpre seu primeiro mandato no Senado, após ter sido eleita deputada estadual por Pernambuco em cinco legislaturas consecutivas.

Pressão após operação da PF

Desde a operação da Polícia Federal realizada na última quinta-feira, integrantes do governo e aliados de Lula no Congresso passaram a defender reservadamente a substituição de Jaques Wagner na liderança.

Entre os argumentos apresentados estava o constrangimento causado pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão. A investigação ganhou repercussão após a divulgação de imagens mostrando US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado ao senador, em Brasília.

Somando os valores apreendidos em dólares e euros em um imóvel localizado em Salvador, a Polícia Federal recolheu o equivalente a cerca de R$ 482 mil, conforme a cotação atual.

A mudança na liderança é vista pelo Palácio do Planalto como uma tentativa de preservar a agenda legislativa do governo e manter o foco na votação de propostas consideradas prioritárias, enquanto Jaques Wagner concentra sua atuação na defesa das acusações que motivaram a investigação.

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