Camilo Santana e Teresa Leitão disputam vaga de Jaques Wagner no Senado

Avaliação no Planalto é que permanência de Jaques Wagner ampliaria o desgaste político provocado pelo caso Master. Escolha do novo líder deve considerar articulação política, cenário eleitoral de 2026 e relação com o Senado

A saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado abriu uma nova disputa interna no PT e colocou dois nomes no centro das articulações do Palácio do Planalto. O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) e a líder petista na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), passaram a ser apontados como os principais cotados para assumir a função.

A decisão ocorre após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados nesta quarta-feira (24), em meio ao desgaste provocado pela investigação envolvendo o Banco Master. A avaliação de integrantes do governo é que a permanência de Wagner no cargo poderia ampliar a pressão política da oposição sobre o Planalto durante o período pré-eleitoral.

Nomes ganham força

Entre os cotados, Camilo Santana aparece como um dos favoritos por sua proximidade com Lula e pela boa interlocução com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, Camilo manteve diálogo frequente com diferentes setores do Congresso durante sua passagem pelo governo.

Apesar disso, integrantes do PT avaliam que ele poderá precisar dedicar mais tempo à política cearense nos próximos meses. O cenário eleitoral no estado é visto como estratégico para o partido, especialmente diante das movimentações da oposição para a disputa de 2026.

Teresa Leitão entra no radar

Diante desse contexto, cresce a possibilidade de Teresa Leitão assumir a liderança. Atual líder do PT no Senado, a parlamentar é considerada um nome com maior disponibilidade para permanecer em Brasília e conduzir a articulação política do governo na reta final da atual legislatura.

Aliados afirmam que a escolha tende a ocorrer sem grandes disputas internas. A avaliação predominante é que a função perdeu parte de seu peso político com a proximidade das eleições, o que reduziria resistências dentro da bancada petista.

Efeito do caso Master

A mudança na liderança ocorre poucos dias após Jaques Wagner ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. Governistas avaliam que qualquer atuação pública do senador na condição de líder poderia manter o tema associado diretamente ao governo federal e ao presidente Lula.

Também causaram desconforto no partido declarações dadas por Wagner em entrevista à imprensa na semana passada. Integrantes do PT consideraram que algumas respostas acabaram ampliando a exposição do presidente ao debate sobre o caso.

Mesmo com a saída da liderança, dirigentes petistas afirmam que continuam confiando na defesa apresentada por Wagner e garantem que o senador seguirá contando com apoio político da legenda.

Prioridades do governo

Enquanto define o novo líder, o governo busca manter a articulação de pautas consideradas prioritárias no Congresso. Entre elas está a Proposta de Emenda à Constituição que propõe mudanças na escala de trabalho 6×1.

Nos bastidores, porém, a avaliação é que a condução das principais negociações deverá ocorrer diretamente entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, independentemente de quem assumir formalmente a liderança do governo na Casa.

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