Lula faz sinal de positivo ao ser perguntado se Jaques Wagner fica na liderança do governo

Presidente evita comentar investigação da Polícia Federal contra o senador, mas indica apoio à sua permanência no comando da bancada governista no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou nesta sexta-feira (19) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deve permanecer na liderança do governo no Senado, mesmo após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal. A manifestação ocorreu durante agenda presidencial em Minas Gerais, um dia depois da deflagração da nova fase da Operação Compliance Zero.

Lula foi abordado por jornalistas ao deixar um compromisso em Belo Horizonte e questionado sobre a permanência de Wagner no cargo. Sem responder verbalmente, o presidente fez um gesto de aprovação com o polegar para cima, interpretado como um sinal de respaldo ao aliado político, informa Metrópoles.

Gesto de Lula ocorre após ação da Polícia Federal

A manifestação aconteceu durante visita do presidente a uma unidade hospitalar que passará a operar integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em seu discurso público, Lula não mencionou o nome de Jaques Wagner nem comentou o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Ainda assim, ao ser interpelado pela imprensa sobre a situação do líder governista no Senado, o chefe do Executivo optou por responder apenas com o gesto positivo, sem fazer declarações adicionais.

A demonstração de apoio ocorre em meio à repercussão da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.

Investigação mira suposto favorecimento ao Banco Master

Jaques Wagner figura entre os alvos da operação por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas para favorecer interesses ligados ao banqueiro. Entre os elementos investigados está a suposta entrega de benefícios, incluindo um apartamento em Salvador.

O senador nega qualquer irregularidade e afirma não ter cometido ilícitos. Até o momento, não há condenação contra o parlamentar, e as apurações seguem em andamento.

Trajetória política de Jaques Wagner

Uma das principais lideranças do PT, Jaques Wagner construiu uma longa trajetória na política nacional. Governou a Bahia entre 2007 e 2014 e integrou diferentes ministérios em governos petistas.

Durante as administrações de Lula e Dilma Rousseff, ocupou cargos como ministro do Trabalho, ministro das Relações Institucionais, ministro da Defesa e ministro da Casa Civil. Em 2018, foi eleito senador pela Bahia e atualmente exerce a função de líder do governo federal no Senado.

Naquele mesmo ano, quando Lula estava preso em decorrência da Operação Lava Jato, Wagner chegou a ser apontado por integrantes do partido como um possível substituto do então ex-presidente na disputa pelo Palácio do Planalto.

Histórico de investigações

Esta não é a primeira vez que o nome do senador aparece em investigações policiais. Em 2018, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada a suspeitas de pagamento de propina envolvendo obras de modernização da Arena Fonte Nova para a Copa do Mundo de 2014.

Entretanto, a ação foi posteriormente anulada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que invalidou os procedimentos um ano depois.

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