A pressão geológica sob a costa do Noroeste do Pacífico está se acumulando silenciosamente, e cientistas alertam: um terremoto catastrófico é questão de tempo. Quando acontecer, pode remodelar paisagens inteiras, destruir infraestrutura e provocar um tsunami de proporções históricas. A informação é do jornal Usa Today.
Por anos, pesquisadores vêm estudando os riscos da Zona de Subducção de Cascádia — uma falha geológica que se estende da Califórnia ao Canadá. Agora, novas descobertas reforçam a gravidade da ameaça: além do tremor em si, o impacto pode ser amplificado pelas mudanças climáticas e pelo aumento do nível do mar.
“Geologicamente falando, já estamos dentro da janela de possibilidade”, afirma Tina Dura, geóloga e professora de riscos naturais no Instituto Politécnico da Virgínia. Ela liderou um novo estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, que destaca como a elevação dos oceanos pode intensificar os efeitos de um grande terremoto nas regiões costeiras.
Afundamento do solo e tsunami permanente
De acordo com a pesquisa, o terremoto poderá causar o rebaixamento do solo em até 1,8 metro em determinadas áreas do interior. Em seguida, um tsunami de até 30 metros pode atingir a costa em cerca de 30 a 40 minutos, arrasando comunidades inteiras e inundando permanentemente parte do território.
“Imagine se, depois do furacão Katrina, tivéssemos perdido pedaços inteiros de Nova Orleans para sempre”, compara Diego Melgar, professor da Universidade de Oregon e diretor do Centro de Ciência de Terremotos da Região de Cascádia.
O fenômeno seria semelhante ao tsunami do Oceano Índico, em 2004, que matou cerca de 230 mil pessoas.
Mas o cenário pode ser ainda pior do que se imaginava.
Combinado ao afundamento do solo, o aumento do nível do mar causado pelas mudanças climáticas ampliaria significativamente a área de inundação. Em algumas regiões, a água não recuaria após o tsunami — deixando bairros e estradas permanentemente submersos. Segundo Dura, esse efeito pode tornar algumas comunidades costeiras “inabitáveis”.
Quando acontecerá?
A pergunta não é se, mas quando. O último terremoto de grande magnitude registrado na Cascádia foi em 1700. Estudos paleossísmicos indicam que eventos desse tipo ocorrem na região a cada 200 a 800 anos. Segundo Dura, a probabilidade de um novo tremor acontecer até o final deste século é de 30%.
Para os próximos 50 anos, os sismologistas estimam 15% de chance de um terremoto de magnitude 8 — suficiente para provocar estragos severos.
Pequenos tremores não aliviam a tensão
A costa oeste dos Estados Unidos é frequentemente sacudida por pequenos terremotos. No entanto, segundo Melgar, eles não são suficientes para liberar a energia acumulada ao longo da falha de Cascádia. “Mesmo um terremoto de magnitude 8 não seria o bastante. Seriam necessários quase 30 desses para aliviar toda a tensão”, alerta.
Ele lembra que a escala de magnitude é logarítmica, o que significa que cada ponto representa uma liberação de energia 30 vezes maior que o anterior.
O grande terremoto de São Francisco, em 1906, foi um abalo de magnitude 8 — e seus efeitos foram devastadores. Mas, diante do potencial da Cascádia, ele pode ter sido apenas um prenúncio.
A ameaça invisível
Para os moradores da região, o maior risco pode estar justamente no silêncio. A zona de subducção de Cascádia é considerada uma “falha silenciosa” — capaz de acumular energia por séculos sem sinais visíveis na superfície.
Enquanto isso, as cidades costeiras seguem em desenvolvimento, muitas vezes sem considerar a vulnerabilidade geológica do terreno.
“A cada ano que passa sem o terremoto, a pressão aumenta. Estamos mais próximos do próximo grande evento”, conclui Melgar.






