Quem é Márcio Canella, pré-candidato ao Senado e ex-prefeito de Belford Roxo alvo de operação da PF

Pré-candidato ao Senado no palanque de Flávio Bolsonaro, político do União Brasil foi alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura lavagem de dinheiro em rede de postos de gasolina

Ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado no palanque de Flávio Bolsonaro (PL), Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella (União Brasil), entrou na mira da Polícia Federal nesta terça-feira (7). Ele é um dos alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em cidades da Região Metropolitana e do interior do Rio.

A operação mira uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo a Polícia Federal, o grupo movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Canella foi alvo de mandado de busca e apreensão e foi preso em flagrante após os agentes encontrarem um fuzil no carro do político.

O avanço da operação atinge um dos nomes que a direita tenta consolidar para a disputa majoritária no Rio em 2026. Com base eleitoral na Baixada Fluminense, Canella é ex-deputado estadual e foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, ainda no primeiro turno, mas renunciou ao cargo no início deste ano para tentar uma vaga no Senado.

Da Câmara de Belford Roxo à Alerj

Canella começou a ganhar projeção na carreira política em 2012, quando foi eleito vereador de Belford Roxo. Dois anos depois, chegou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde construiu base própria e ampliou sua influência na Baixada.

Em 2016, foi eleito vice-prefeito de Belford Roxo na chapa de Waguinho (Republicanos), de quem depois se tornaria adversário político. Em 2018, voltou à Alerj. Já em 2022, foi reeleito deputado estadual com uma das maiores votações do estado, resultado que reforçou sua imagem de puxador de votos.

Dois anos depois, em 2024, Canella derrotou o grupo de Waguinho e venceu a eleição para a Prefeitura de Belford Roxo no primeiro turno. A passagem pelo comando da cidade, porém, durou pouco. Com a renúncia, abriu caminho para a vice, Mariana Malta, assumir a prefeitura.

Peça no palanque de Flávio Bolsonaro

A saída da prefeitura marcou a entrada definitiva de Canella no tabuleiro eleitoral de 2026. Filiado ao União Brasil, ele passou a ser apresentado como pré-candidato ao Senado pelo campo da direita e aliado de Flávio Bolsonaro no Rio.

No último seminário nacional de comunicação do PL, realizado na sexta-feira (3), no Centro do Rio, Canella ganhou espaço no palco ao lado de Flávio, Valdemar Costa Neto e Douglas Ruas, presidente da Alerj e pré-candidato do PL ao governo do estado.

Na ocasião, Douglas defendeu publicamente a eleição de Canella ao Senado, enquanto o ex-prefeito de Belford Roxo reforçou a aliança com Flávio e Ruas.

A entrada de Canella na disputa ocorre em um cenário ainda indefinido para a direita fluminense, que tenta organizar a chapa ao Senado e consolidar o palanque de Flávio no estado.

Denúncias contra milicianos

Nas redes sociais, Canella também ganhou visibilidade ao publicar vídeos com denúncias contra milicianos que atuariam em Belford Roxo. Em uma das ocasiões, afirmou que criminosos cobravam taxas por Pix de moradores e comerciantes.

Em outra denúncia, citou a atuação de um miliciano conhecido como Lobinho em condomínios do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo Canella disse à época, moradores relatavam cobranças ilegais e ameaças. Ele afirmou ter encaminhado as denúncias ao Ministério Público e à Polícia Civil.

O então prefeito também usou as redes para rebater mensagens atribuídas a grupos criminosos que tentavam restringir a circulação em bairros da cidade, incluindo supostas ameaças contra motoristas de aplicativo.

Alvo da Operação Unha e Carne

Na operação desta terça, a Polícia Federal apura a suspeita de que uma rede de postos de combustíveis tenha sido usada para ocultar recursos de origem ilícita. A investigação também mira a possível participação de agentes públicos e a suposta anuência de políticos no esquema.

Ao todo, foram expedidos 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Rio, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores, além da suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

A investigação não representa condenação. A Polícia Federal afirma que os alvos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que venham a ser identificados no curso das apurações.

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