PT pede ao STF e à PF investigação sobre suposto caixa 2 ligado ao filme ‘Dark Horse’

Partido cita reportagens sobre financiamento da produção audiovisual e solicita apuração de possíveis irregularidades eleitorais, financeiras e administrativas

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou pedidos no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF) para que sejam investigadas possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como potencial candidato à Presidência da República em 2026.

Segundo o blog da Andréia Sadi, no portal g1, o diretório nacional do partido sustenta nas representações encaminhadas aos órgãos que há indícios de uma complexa estrutura de financiamento envolvendo recursos no exterior, o que, segundo a legenda, justificaria a abertura de procedimentos de apuração sobre eventual prática de ilícitos eleitorais e penais.

A iniciativa do PT tem como base reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil que abordam a relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de tratativas relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica.

Questionamentos sobre o financiamento

De acordo com as informações mencionadas pelo partido, o filme teria recebido aproximadamente R$ 61 milhões em investimentos. Na avaliação do PT, parte desses recursos pode ter sido utilizada para custear atividades ligadas à estrutura mantida por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A legenda argumenta que essa estrutura teria desempenhado papel político-eleitoral e, por isso, solicita que os órgãos competentes avaliem a origem e a destinação dos recursos empregados no projeto audiovisual.

No documento encaminhado às autoridades, o PT afirma:

“Caso confirmadas irregularidades pelos órgãos de investigação poderão surgir elementos aptos a caracterizar ilícitos eleitorais e penais, inclusive aqueles relacionados à omissão, dissimulação ou falsidade de informações relevantes para a fiscalização da atividade político-eleitoral, entre eles a hipótese falsidade ideológica eleitoral (“caixa 2”), prevista no art. 350 do Código Eleitoral”.

O partido sustenta que uma eventual comprovação das suspeitas poderia configurar infrações relacionadas ao financiamento de atividades políticas e eleitorais.

Possível abuso de poder econômico

Outro ponto levantado pela representação diz respeito à destinação de emendas parlamentares para empresas que teriam relação com a produtora responsável pelo filme.

Segundo o PT, a circunstância merece investigação para verificar a “eventual configuração de abuso de poder econômico”, especialmente diante da possibilidade de conexão entre recursos públicos, interesses privados e atividade político-eleitoral.

A legenda pede que os órgãos responsáveis analisem a movimentação financeira das empresas envolvidas, bem como a eventual existência de vínculos que possam ter favorecido o financiamento da obra.

Pedidos de apuração na Ancine

Além das questões eleitorais e financeiras, o PT também solicita que STF e PF verifiquem aspectos regulatórios relacionados à produção do filme.

Entre os pontos destacados está a necessidade de confirmar se o projeto obteve todas as autorizações e registros exigidos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) para filmagem e produção em território nacional.

O partido também requer apuração sobre a situação migratória e trabalhista de profissionais estrangeiros que participaram das gravações, questionando se todos os vistos e autorizações exigidos pela legislação brasileira foram devidamente concedidos.

Caso pode ampliar investigações já em andamento

Os pedidos apresentados pelo PT chegam em meio à repercussão das reportagens sobre as relações entre integrantes da família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A legenda busca que as autoridades avaliem não apenas a origem dos recursos utilizados na produção do filme, mas também eventuais reflexos eleitorais, financeiros e administrativos decorrentes da operação.

Até o momento, a iniciativa representa um pedido formal de investigação. Caberá ao STF e à Polícia Federal analisar os elementos apresentados e decidir sobre a abertura ou não de procedimentos para apuração dos fatos.

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