Novos documentos divulgados pelo site The Intercept lançaram luz sobre a movimentação de recursos destinados ao filme Dark Horse, produção baseada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, planilhas de pagamentos e comprovantes de transferências internacionais apontam que pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — foram direcionados ao projeto até maio de 2025.
As informações ampliam as revelações já conhecidas sobre o caso, que vem sendo investigado no âmbito das apurações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Planilha detalha cronograma
De acordo com os documentos divulgados, uma planilha registra uma operação próxima de US$ 24 milhões destinada ao financiamento do filme. O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Os registros apontam que, até maio de 2025, haviam sido efetivamente repassados US$ 10,6 milhões. No entanto, a própria documentação sugere que o valor total destinado ao projeto poderia ser ainda maior.
Segundo a reportagem, uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda e Daniel Vorcaro indica que novas parcelas continuavam sendo discutidas meses depois dos primeiros pagamentos. Em agosto de 2025, Miranda teria alertado sobre duas parcelas em atraso e uma terceira prestes a vencer. Em resposta, Vorcaro escreveu: “Segunda fazemos duas”.

Caminho do dinheiro
Entre os documentos divulgados está um comprovante de transferência internacional emitido pelo sistema SWIFT, utilizado para operações financeiras entre instituições de diferentes países.
O registro mostra uma remessa de US$ 2 milhões realizada em 13 de fevereiro de 2025 para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas. O agente legal do fundo é o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, ligado ao advogado Paulo Calixto, que atua na defesa do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.
Segundo os documentos, a transferência teve como remetente a empresa Entre Investimentos, apontada como responsável pelo envio dos recursos aos Estados Unidos.
Estrutura da operação
De acordo com a reconstrução apresentada pelo The Intercept, os recursos teriam saído da Entre Investimentos, seguido para o Havengate Development Fund LP e, posteriormente, chegado à Go Up Entertainment.
A empresa pertence à produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse.
Embora a Entre Investimentos e Daniel Vorcaro neguem vínculo societário, documentos e investigações mencionados na reportagem apontam para uma possível conexão operacional entre o grupo e o ex-banqueiro.
Investigação em andamento
O caso também passou a integrar o foco de investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo a reportagem, os investigadores apuram se parte dos recursos destinados ao filme teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A hipótese analisada pelos investigadores considera o contexto de restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que teria dificultado o acesso do parlamentar licenciado a recursos financeiros no exterior.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação, em maio, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro conversa com Daniel Vorcaro sobre a necessidade de recursos para a produção cinematográfica. Inicialmente, Flávio negou o financiamento, mas posteriormente admitiu ter solicitado apoio financeiro para o projeto e confirmou ter visitado Vorcaro após sua saída da prisão domiciliar. Ouça o áudio de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro:
As investigações seguem em andamento e ainda não há conclusão oficial sobre a destinação final dos recursos ou eventual responsabilização dos envolvidos.






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