O grupo do PSOL liderado pelo ministro Guilherme Boulos deve decidir nas próximas duas semanas se continuará no partido após sofrer uma derrota significativa em votação interna sobre a criação de uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores.
A proposta de aliança foi rejeitada neste sábado (7) pela maioria da legenda. O resultado evidenciou o isolamento da ala ligada a Boulos, que defendeu a federação como estratégia para fortalecer o campo progressista nas eleições futuras.
A votação terminou com ampla rejeição à proposta: cerca de 75% dos integrantes do partido votaram contra a federação, enquanto apenas 25% apoiaram a iniciativa liderada pelo grupo do ministro.
Derrota interna amplia tensão dentro do PSOL
A ala ligada a Boulos é formada por integrantes da corrente Revolução Solidária, considerada uma das mais visíveis do partido. Entre os nomes de destaque estão a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e a deputada federal Erika Hilton.
Nos bastidores, integrantes do grupo avaliam que a decisão da maioria do partido representou uma derrota política direcionada a lideranças que possuem forte visibilidade pública e potencial eleitoral dentro da sigla.
Segundo pessoas próximas à corrente, mesmo que o grupo decida permanecer no PSOL, será necessário renegociar os espaços e as condições de atuação política dentro da legenda.
Possível migração para o PT entra no radar
Entre os cenários discutidos está a possibilidade de migração coletiva para o PT, hipótese considerada viável por parte dos aliados de Boulos caso o clima interno no partido não seja recomposto.
A crise se intensificou após um racha dentro do campo mais moderado do PSOL, que historicamente atuava de forma unificada em debates estratégicos.
Desta vez, o grupo Primavera Socialista, ligado à atual presidente do partido, Paula Coradi, e ao ex-presidente da legenda Juliano Medeiros, acabou se alinhando às correntes contrárias à federação.
Debate sobre estratégia eleitoral divide correntes
Os setores que rejeitaram a federação argumentam que uma aliança formal poderia enfraquecer a identidade política do PSOL e obrigar o partido a apoiar candidaturas consideradas incompatíveis em disputas estaduais.
Já os defensores da união com o PT afirmam que a estratégia seria fundamental para ampliar a força eleitoral da esquerda diante do avanço de federações formadas por partidos de direita.
A decisão final do grupo liderado por Boulos deve ocorrer nas próximas semanas e poderá redefinir o equilíbrio interno do PSOL, além de influenciar a configuração das alianças no campo progressista para as próximas eleições.






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