Professor do Alemão era o principal elo entre o CV e fornecedores internacionais

Fhillip da Silva Gregório, de 38 anos, era considerado o principal responsável pelo transporte e aquisição de armas e drogas do Comando Vermelho

O traficante Fhillip da Silva Gregório, de 38 anos, morreu na noite deste domingo (1), após ser baleado. Conhecido como Professor, o criminoso era apontado como um dos principais responsáveis pelo transporte e aquisição de armas, drogas e munições para o Comando Vermelho no Complexo do Alemão. 

O nome de Fhillip ganhou notoriedade no mundo do tráfico há mais de uma década, quando foi preso em flagrante em 2012 com comprovantes de depósitos bancários e anotações contábeis ligadas à facção criminosa.

O traficante foi apontado pela Polícia Federal como elo direto com fornecedores internacionais, com contatos no Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia.

Em março de 2015, Fhillip foi preso em um sítio em Seropédica, que, segundo a PF, era utilizado como entreposto para recebimento de drogas e armamentos. Na ocasião, agentes encontraram 100 quilos de cocaína e interceptações telefônicas revelaram que ele teria movimentado até R$ 1 milhão em apenas 15 dias.

Foragido

Condenado a 14 anos de prisão, passou por diferentes unidades do sistema penitenciário até setembro de 2018, quando recebeu o benefício da Visita Periódica ao Lar (VPL) e não retornou ao Instituto Penal Edgard Costa. Desde então, era considerado foragido.

Mesmo foragido, Fhillip manteve atuação ativa dentro do Complexo do Alemão. Em 2020, foi reconhecido por policiais da UPP Fazendinha durante confronto na Estrada Adhemar Bebiano. Além da base no Alemão, mantinha ramificações em Juiz de Fora (MG) e em Seropédica, na Baixada Fluminense.

Com status elevado dentro do Comando Vermelho, passou a responder por homicídio em 2021, após investigações apontarem seu envolvimento indireto na morte de dois homens no baile da Fazendinha. O delegado responsável pelo caso afirmou que execuções em comunidades só ocorrem com autorização dos “dono” do território, posição que Fhillip exercia.

De acordo com reportagem do G1, interceptações telefônicas feitas pela PF mostraram negociações entre o criminoso e policiais militares sobre pagamentos de propina para evitar operações na região. O valor, segundo as conversas, era alvo de disputa.

A Polícia Federal também identificou, em 2023, que Professor era o principal comprador de armamentos ilegais para a facção. As armas vinham da Europa, passando por intermediários na fronteira do Brasil com o Paraguai.

O bandido ficou recluso dentro do morro há pelo menos cinco anos, onde construiu uma estrutura de conforto e segurança. Segundo a PF, a casa possuía: piscina, hidromassagem, clínica odontológica improvisada e até uma área para procedimentos estéticos. Em mensagens, ele se gabava da construção e mencionava cirurgias, como uma lipoaspiração e a retirada de estilhaços de bala da cabeça.

Apesar da reclusão voluntária e das medidas de segurança, Fhillip foi morto fora da comunidade. A causa e autoria do disparo ainda são investigadas. Contra ele, consta um mandado de prisão ativo expedido pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro.

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