Traficante conhecido como Professor, fornecedor de armas do CV, morre com um tiro no Rio

Fhillip da Silva Gregório era o 3º homem mais influente da facção no Alemão e estava foragido há 6 anos; a principal hipótese é de que ele tenha cometido suicídio

Apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho fora dos presídios, Fhillip da Silva Gregório, conhecido pelo apelido de “Professor”, foi encontrado morto na noite deste domingo (1º), após ser atingido por disparos de arma de fogo. A informação é do jornal Extra. Foragido do sistema prisional há mais de seis anos, o traficante de 38 anos comandava parte do tráfico de drogas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Civil, Professor foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Del Castilho, também na Zona Norte, mas já chegou ao local sem vida. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) ficará responsável pela investigação do caso.

Até a última atualização desta reportagem, não se sabiam as circunstâncias da morte de Professor. Segundo a Polícia Civil, uma testemunha, com quem ele mantinha relação extraconjugal, se apresentou e afirmou que ele cometeu suicídio. Ela entregou a arma que teria sido usada pelo criminoso.

Segundo o delegado Leandro Gontijo, da 22ª DP (Penha), a morte ocorreu na área da 44ª DP (Inhaúma). Professor acumulava 65 anotações criminais. A Polícia Militar foi acionada às 21h20 pelo Centro de Operações para verificar a entrada de um homem baleado na unidade de saúde. No local, a esposa da vítima, Gabriele de Almeida Rangel, e o advogado Eli Florêncio da Luz confirmaram sua identidade às autoridades.

Em nota, a direção da UPA informou que Professor deu entrada na unidade já em óbito, sem qualquer documento. A Secretaria Municipal de Saúde comunicou que o corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que fará a confirmação formal da identidade.

Além do domínio territorial no Complexo do Alemão, Professor era investigado por ser o principal elo do Comando Vermelho com fornecedores internacionais de armas e drogas. As autoridades apontam que ele mantinha conexões com traficantes do Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia, sendo responsável por intermediar negociações de grande escala, inclusive com fornecedores da Europa.

O nome de Professor ganhou ainda mais notoriedade após revelações feitas em abril deste ano pelo jornal O GLOBO. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicaram que ele negociava diretamente com policiais militares para controlar ações das forças de segurança em áreas dominadas pelo tráfico. Em uma das conversas, datada de maio de 2022, Professor pede que um blindado da PM seja retirado da comunidade:

“Saiba que aqui sempre vai ter um diálogo, mas eu não sou bobo. Tenho a força, ninguém tem mais soldado e fuzil que eu na facção, nem por isso fico de arrogância”, escreveu ele pelo WhatsApp. O policial respondeu: “Suave, já desenrolei. Ordem (era) pra colocar o blindado no Engenho. Mas já quebramos”.

Nas trocas de mensagens, o criminoso também detalha como funcionam os acordos entre o tráfico e policiais:

“Deixa eu te explicar, mano. O cara lá de cima pediu pra dar uma segurada no morro. Eu seguro. Mas falei: ‘Deixa a Coreia e não faz operação por roubo que senão eu mando roubar tudo’ …. ‘Meu bagulho é droga, eu vender minha droga. Hoje, o GAT já tava na Coreia. Deixa meu bagulho andar, mano’”.

O PM, por sua vez, explicou a ação policial: “Foi nós na Coreia, mano. Pra tirar uma barricada que tá no meio da rua, mas ali é pista. Não pode fechar a pista, mano”.

Essas mensagens fazem parte do inquérito que deu origem à Operação Dakovo, deflagrada em dezembro de 2023, quando 28 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal por envolvimento no tráfico de 43 mil armas vindas do Paraguai para grupos criminosos brasileiros.

Segundo o Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) da PF da Bahia, as conversas interceptadas evidenciam “o poder exercido por Professor, bem como sua relação com supostos oficiais da PM do Rio de Janeiro”. A Justiça Federal da Bahia chegou a decretar sua prisão, mas ele nunca foi capturado.

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