Na manhã desta terça-feira (3), o sepultamento de Fhillip da Silva Gregório, conhecido como “Professor” e apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo do Alemão, foi marcado por uma demonstração de força e simbologia do crime organizado. A cerimônia, realizada no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, contou com tiros para o alto, queima de fogos de artifício e um cortejo de motociclistas que acompanharam o caixão desde a comunidade até o local do enterro.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o cortejo e os disparos, evidenciando a reverência ao traficante. Na noite anterior, o velório ocorreu na localidade conhecida como “Campo do seu Zé”, na comunidade da Fazendinha, onde um tapete vermelho foi estendido e diversas coroas de flores foram colocadas em homenagem ao criminoso.
Tiros, fogos e cortejo de motos marcam enterro do ‘Professor’, chefe do tráfico do Complexo do Alemão, nesta terça (3). No dia anterior, o velório contou com tapete vermelho e coroas de flores.
— Jornal O Dia (@jornalodia) June 3, 2025
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A morte de “Professor” ocorreu no domingo (1º), e a principal hipótese investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) é de suicídio. Segundo depoimento de uma mulher com quem ele mantinha um relacionamento extraconjugal, o traficante estava embriagado, ameaçou-a e, em seguida, atirou contra a própria cabeça. Ela relatou que ele enfrentava um quadro de depressão e fazia uso de medicamentos controlados combinados com álcool.
Paralelamente ao enterro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho, investigando esquemas de lavagem de dinheiro que teriam movimentado mais de R$ 250 milhões. Entre os alvos estão a esposa do cantor MC Poze do Rodo, Vivi Noronha, e o segurança de Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”. A operação também apura possíveis conexões com o terrorista Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim, procurado pelo FBI por suspeita de atuar como operador financeiro da Al-Qaeda.
“Professor” era apontado como responsável por eventos como o “Baile da Escolinha”, utilizados para arrecadação de fundos e fortalecimento da presença do tráfico nas comunidades. A Polícia Civil afirma que, mesmo após sua morte, a influência do traficante permanece evidente na consolidação da cultura do tráfico e na estruturação de empresas de fachada para dissimular a origem ilícita dos recursos.





