PGR denuncia Marcel van Hattem ao STF por declarações contra delegado da Polícia Federal

Deputado federal afirma que acusação representa perseguição política e reforça argumento de imunidade parlamentar após denúncia por injúria e calúnia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria e calúnia após declarações feitas contra o delegado da Polícia Federal Fábio Schor.

A acusação tem como base um discurso realizado pelo parlamentar na tribuna da Câmara dos Deputados, em agosto de 2024. Na ocasião, Van Hattem afirmou que o delegado teria produzido relatórios fraudulentos relacionados à prisão de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PGR, o parlamentar extrapolou os limites da liberdade de expressão ao utilizar falas consideradas ofensivas e ao atribuir supostos crimes ao delegado sem comprovação judicial.

Denúncia envolve discurso feito na Câmara

Durante a sessão na Câmara, Marcel van Hattem exibiu uma foto de Fábio Schor e declarou publicamente que o policial federal teria elaborado relatórios falsos contra pessoas inocentes, incluindo Filipe Martins.

Além das acusações sobre os documentos, o deputado também usou termos duros ao se referir ao delegado, classificando sua atuação de forma crítica e contundente.

Ao final do pronunciamento, Van Hattem citou a própria imunidade parlamentar, destacando que deputados possuem proteção constitucional sobre opiniões, palavras e votos emitidos no exercício do mandato.

A Polícia Federal já havia indiciado o parlamentar anteriormente, entendendo que as declarações poderiam configurar crimes contra a honra, como calúnia e difamação.

Deputado fala em intimidação política

Após ser notificado sobre a denúncia, Marcel van Hattem reagiu publicamente e classificou a iniciativa da Procuradoria como uma tentativa de intimidação política.

Em nota, o parlamentar afirmou que está sendo alvo de perseguição por ter denunciado uma suposta irregularidade envolvendo um integrante da Polícia Federal.

Segundo ele, a Constituição Federal garante imunidade material aos congressistas, protegendo manifestações relacionadas ao exercício do mandato parlamentar.

Van Hattem também criticou a atuação da PGR, alegando que o órgão teria postura seletiva em investigações envolvendo autoridades e ministros do Supremo Tribunal Federal.

O advogado de defesa do deputado, Alexandre Wunderlich, reforçou o argumento jurídico e afirmou que as declarações feitas na tribuna estão integralmente protegidas pela imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição.

Caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal

Com a denúncia protocolada, caberá agora ao Supremo Tribunal Federal avaliar se recebe ou não a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Caso a denúncia seja aceita, Marcel van Hattem passará à condição de réu e responderá formalmente ao processo criminal.

O caso reacende discussões sobre os limites da imunidade parlamentar, liberdade de expressão de congressistas e responsabilização por declarações feitas em ambiente legislativo.

A análise do STF poderá estabelecer novos parâmetros para casos semelhantes envolvendo falas de parlamentares no exercício do mandato.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading