A Justiça decretou as prisões de dois suspeitos de participação em uma tentativa de assalto seguida de tiroteio, nesta terça-feira, na Linha Amarela, que deixou duas pessoas mortas. Ambas foram atingidas por balas perdidas. Ricardo dos Santos Ferreira, o Diretor, e Carlos Henrique Ferreira, o Coroa, já são considerados foragidos. Um terceiro suspeito conhecido como MD ainda está sendo identificado. Dois deles são do Complexo do Alemão, em Bonsucesso, e um terceiro da Favela do Arará, em Manguinhos. Um quarto suspeito, Alexsandro Andrade Venâncio, do Morro da Mangueira, foi ferido durante a ação e acabou sendo preso em flagrante no dia do crime.
Informações preliminares apontam que o bando, composto ainda por bandidos do Rio e também por foragidos de outros estados, atua com o roubo de veículos e de cargas. Além disto, o grupo usaria o Complexo do Alemão como esconderijo e seria ligado ao traficante Fhillip da Silva Gregório, o Professor. Apontado pela polícia como um dos principais fornecedores de armas e drogas do Comando Vermelho (CV), com contatos no Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia, Fhillip recebeu da facção o posto de chefe da localidade conhecida como Fazendinha, no Alemão. Em troca de dar abrigo aos assaltantes, ele receberia uma quantia em dinheiro e parte dos produtos roubados em assaltos.
Nesta segunda-feira, a mesma quadrilha chegou a roubar uma carreta carregada de materiais de limpeza, no Bairro da Penha, na Zona Norte. Quando o veículo passava pela Linha Amarela, escoltada por homens armados em um carro e duas motocicletas, policiais militares desconfiaram e tentaram abordar a carreta. Os bandidos reagiram e houve tiroteio.
Na ocasião, um suspeito que era foragido da Justiça de Goiás, foi preso dentro da cabine da carreta. A carga avaliada em torno de R$ 64 mil foi recuperada. Não houve feridos ou mortos, apesar do vidro do para-brisa do caminhão ter sido atingido por quase 17 disparos.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, Fhillip da Silva Gregório tem três mandados de prisão expedidos em seu nome pela Justiça e é considerado foragido. Ele responde ainda pela morte de um aposentado, de 74 anos, portador de Alzheimer, que teria sido executado na Fazendinha, em 2023, após ser confundido com um pedófilo. De acordo com a polícia, o crime teria sido executado por traficantes com a autorização de Professor.
Vítimas sepultadas
As duas pessoas que morreram, após serem atingidas por balas perdidas, foram enterradas nesta quarta-feira. O montador de esquadrias de alumínio José Carlos Miranda, de 64 anos, foi sepultado no Cemitério de Bongaba, em Magé, na Baixada Fluminense. A estoquista Deborah Vilas Boas Pires da Silva, de 27, foi sepultada no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil. O primeiro foi atingido por um tiro quando estava em um ônibus que cruzava a Linha Amarela. A estoquista foi ferida em um ponto de ônibus, localizado às margens da via expressa. Ela deixa marido e uma filha de apenas sete meses.





