A Justiça do Rio converteu em preventivas as prisões de três homens acusados de integrar uma quadrilha especializada em aplicar golpes contra idosos durante corridas de táxi. Alisson Gabriel de Almeida Souza, Gabriel de Sousa Vera e Alessandro Soares de Assis foram presos em flagrante na quarta-feira (23), no Catete, Zona Sul do Rio.
A decisão ocorreu nesta sexta-feira (25), após atuação do Núcleo de Atuação perante a Central de Audiência de Custódia do Ministério Público do Estado do Rio (NACAC/MPRJ). Segundo o Ministério Público, o grupo tinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, e escolhia principalmente pessoas idosas como vítimas.
De acordo com a investigação, os criminosos usavam um táxi com placas trocadas e máquinas de cartão adulteradas. Durante o pagamento da corrida, os dados e a senha da vítima eram capturados. Em seguida, um dos integrantes entregava um cartão semelhante ao passageiro e ficava com o original.
Com os cartões e as senhas, os criminosos realizavam compras e saques. Na ação que terminou com as prisões, os policiais apreenderam 85 cartões bancários em nome de terceiros, 12 máquinas de cartão e seis placas de veículos, além do táxi com o sinal identificador adulterado.
Como o golpe funcionava
Segundo a Polícia Civil, o grupo recusava pagamentos em dinheiro ou por Pix e alegava não ter troco. O passageiro era então orientado a pagar com cartão.
A máquina apresentava uma suposta falha durante a operação, enquanto um aplicativo instalado em um celular era usado para capturar a senha digitada pela vítima. Depois, o cartão original era trocado por outro semelhante.
A investigação começou após uma vítima procura a polícia para denunciar que havia tido o cartão furtado durante uma corrida e recebido outro no lugar. A análise de imagens e informações de inteligência levou os agentes da 9ª DP (Catete) até o veículo usado pelo grupo, com apoio da Central de Inteligência, Vigilância, Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas).
Os investigadores também descobriram que o carro circulava com diferentes placas para dificultar sua identificação. Em apenas oito dias, quatro placas foram relacionadas ao mesmo táxi.
Aposentada teve bolsa levada
A polícia conseguiu relacionar outros casos ao grupo depois que uma aposentada de 73 anos percebeu que seu cartão havia sido trocado durante uma corrida, na terça-feira (22), um dia antes das prisões.
Ao tentar recuperar o cartão, o motorista fugiu levando a bolsa da vítima. O cartão que ficou com a aposentada, porém, pertencia a outra pessoa que também havia sido alvo do golpe.
Veja o vídeo:
Após a prisão do motorista, os policiais foram até um imóvel alugado temporariamente no Santo Cristo, na região central do Rio. O endereço era usado pelo grupo como base durante a permanência na cidade. Outros dois suspeitos foram presos no local.
Os agentes também encontraram um objeto levado de um dos passageiros dentro da mochila de um dos detidos.
Suspeito já havia sido preso pelo mesmo tipo de golpe
Ao pedir a conversão das prisões em preventivas, o NACAC destacou o que classificou como atuação estruturada e profissionalizada do grupo, além do risco de reiteração criminosa.
Segundo o Ministério Público, Gabriel de Sousa Vera já havia sido preso em maio deste ano por suspeita de envolvimento em um golpe semelhante. Na ocasião, ele recebeu liberdade provisória.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e verificar se há mais pessoas envolvidas no esquema.







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