Polícia pede prisão de empresário suspeito de matar ex-companheira e menino de 6 anos em SP

Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho, Raphael, foram encontrados mortos em um apartamento; investigação aponta histórico de ameaças, perseguições e violência doméstica

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A Polícia Civil pediu à Justiça a prisão temporária do empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, suspeito de matar a ex-companheira, Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferrari, de 6 anos, em Cotia, na Grande São Paulo. Os corpos foram encontrados na noite de terça-feira (3), dentro de um apartamento no bairro Lajeado.

O pedido de prisão foi feito após a análise de imagens de câmeras de segurança do condomínio. Segundo o boletim de ocorrência, os registros mostram Eric entrando no local com Anna Gabriela e Raphael por volta das 21h35 de domingo (1º). Na madrugada de segunda-feira (2), às 2h14, ele deixou o condomínio sozinho.

De acordo com a investigação, não há registros da entrada ou saída de outras pessoas no apartamento ou no bloco onde as vítimas estavam durante o período. A Polícia Civil apura o caso como feminicídio e vicaricídio, crime caracterizado pelo assassinato de filhos ou outras pessoas próximas com o objetivo de atingir uma mulher.

Relacionamento tinha histórico de violência e ameaças

Familiares e testemunhas ouvidos pelos investigadores relataram que o relacionamento entre Eric e Anna Gabriela era conturbado, marcado por sucessivos términos e reconciliações. Os depoimentos também apontam episódios anteriores de violência doméstica, ameaças, perseguições e comportamento controlador atribuídos ao empresário.

Testemunhas afirmaram ainda que o suspeito teria exibido uma arma de fogo para intimidar a ex-companheira. Para os investigadores, há indícios de que Raphael tenha sido morto no mesmo contexto de violência de gênero praticada contra a mãe.

Quem era Anna Gabriela

Anna pertence a uma família com histórico de atuação na política e na administração pública de São Paulo. Seu pai, Paulo Roberto Faria Lima, foi vereador da capital paulista e acabou condenado por improbidade administrativa no caso conhecido como “Máfia da Propina” ou “Esquema dos Estacionamentos”.

Segundo a investigação, entre 1997 e 1998, um grupo extorquia comerciantes de Pinheiros, na Zona Oeste, para arrecadar recursos destinados ao financiamento de campanhas eleitorais. A prática fazia parte de uma estrutura mais ampla de cobrança de propina na administração municipal. Paulo Roberto e outros 16 réus foram condenados. A decisão transitou em julgado em junho de 2018.

Avô foi deputado durante a ditadura

Seu avô, José Roberto Faria Lima, economista formado pelo Mackenzie, foi eleito deputado federal por São Paulo pela Arena em 1970 e reeleito em 1974. Também presidiu a Prodam, empresa de tecnologia da prefeitura, em diferentes períodos.

A família inclui ainda o brigadeiro José Vicente de Faria Lima, ex-prefeito de São Paulo. Durante sua gestão, foram construídas importantes vias, como as marginais dos rios Tietê e Pinheiros, a Avenida 23 de Maio e a Radial Leste. Ele também iniciou as obras do metrô, em 1968. Após sua morte, em 1969, a antiga Radial Oeste recebeu seu nome: Avenida Brigadeiro Faria Lima.

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