A insatisfação da Polícia Federal com o governo federal ganhou novos contornos após a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) formalizar, em ofício enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, críticas ao que classifica como descumprimento de compromissos assumidos na área de segurança pública.
O documento aponta que a principal reivindicação da categoria, a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), não avançou como prometido. A proposta havia sido discutida no fim do ano passado com o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
Cobrança por fundo anticrime
O fundo seria financiado com recursos oriundos do próprio crime, como bens confiscados, valores de acordos e receitas de apostas, e vinha sendo tratado como prioridade pelas carreiras da segurança pública federal.
Sem a implementação da medida, delegados avaliam que o governo deixou de cumprir um compromisso considerado estratégico para o fortalecimento das ações contra organizações criminosas.
Reação à medida provisória
Como resposta à mobilização da categoria, o governo editou recentemente uma medida provisória destinando parte dos recursos do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol) para custear a saúde dos policiais federais.
A iniciativa, no entanto, foi recebida com críticas pela categoria. Segundo a ADPF, houve “extrema frustração” com a decisão, que não atendeu à principal demanda apresentada.
No documento, os delegados afirmam que a medida reforça a percepção de “rebaixamento da carreira” e levanta preocupações sobre as condições futuras de enfrentamento ao crime organizado.
Consulta interna amplia pressão
A entidade informou que realizou uma consulta formal com a categoria antes de encaminhar o ofício ao governo. De acordo com o levantamento, 92% dos participantes consideraram que a medida provisória não atendeu às reivindicações.
Além disso, 97% dos delegados ouvidos defenderam a reabertura das negociações com o governo federal.
“A categoria foi formalmente consultada e a ampla maioria entende que a medida não atende às necessidades da carreira”, destaca o documento assinado pelo presidente da ADPF, Edvandir Paiva.
Pedido de negociação imediata
Diante do cenário, a associação solicitou a abertura imediata de uma mesa de negociação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
O objetivo é retomar as discussões sobre a criação do fundo e outros pontos considerados prioritários para o fortalecimento institucional da Polícia Federal.
A movimentação expõe um momento de tensão entre a categoria e o governo, em meio ao debate sobre políticas de segurança e estratégias de combate ao crime organizado no país.






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