A Polícia Civil realizou, nesta sexta-feira (3), uma megaoperação no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, Zona Norte do Rio. A ação faz parte de um inquérito que apura fraude processual e vilipêndio de cadáver na unidade. A ação buscou investigar denúncias de irregularidades na comunicação de mortes à polícia.
De acordo com as investigações da 23ª DP (Méier), pelo menos 14 corpos são alvo de apuração, incluindo situações em que óbitos não foram devidamente informados às autoridades. O problema teria ocorrido porque a unidade deixou de acionar o Instituto Félix Pacheco (IFP), responsável pelos exames papiloscópicos — etapa obrigatória para a identificação oficial das vítimas.
As investigações da polícia descobriram que alguns corpos chegaram ao Instituto Médico-Legal (IML) em avançado estado de decomposição, com atrasos entre a data da morte e o pedido de exame pericial.
Durante diligência nesta sexta-feira, policiais encontraram quatro corpos no hospital, que foram apreendidos e encaminhados ao IML. Segundo a Polícia Civil, alguns estavam “mumificados”. A maioria das mortes sob investigação ocorreu em acidentes de trânsito, e há vítimas ainda registradas como desaparecidas.
O inquérito começou após relatório do IML apontar inconsistências nos registros enviados pela unidade de saúde. Até o momento, dez notificações apresentaram indícios de atraso. As circunstâncias que levaram à omissão estão sob análise, e os responsáveis poderão ser responsabilizados criminalmente.
Prefeitura contesta informação
A Secretaria Municipal de Saúde negou que haja dez ou mais corpos sem identificação no Hospital Salgado Filho. Em nota, a pasta informou que apenas dois corpos estavam no local nesta sexta: um em processo de identificação e outro aguardando remoção para o IML.
O secretário de Saúde, Daniel Soranz, afirmou não haver interesse em atrasar a comunicação de óbitos e destacou que todos os casos externos são reportados às autoridades competentes. Apesar disso, Soranz afastou a funcionária responsável pelo setor e determinou a abertura de uma sindicância interna.
“Precisaria receber a lista desses corpos, um ofício estruturado com essa lista, para que a gente pudesse ajudar na investigação. Não há nenhum interesse do hospital em atrasar a identificação de nenhum corpo”, declarou o secretário.
A Polícia Civil segue analisando documentos e procedimentos adotados pela unidade para apurar eventuais responsabilidades criminais.






Deixe um comentário