A Polícia Civil de São Paulo encontrou aproximadamente R$ 686 mil em dinheiro na casa de um ex-assessor ligado ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), em Sorocaba, no interior paulista, nesta sexta-feira (18). Os agentes chegaram ao endereço durante as buscas pelo ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, alvo da Operação Vectura Corrupta.
No imóvel, foram apreendidos R$ 280 mil em espécie e US$ 79 mil, quantia equivalente a aproximadamente R$ 406 mil pela cotação desta sexta-feira. Milton Leite, porém, não estava no local. Todo o dinheiro foi recolhido pelos investigadores.
O ex-vereador é considerado foragido pela Polícia Civil após não ter sido localizado para o cumprimento de um mandado de prisão temporária. A operação investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte coletivo de São Paulo.
Ex-vereador havia prometido se apresentar
Milton Leite não foi encontrado desde o início da operação, deflagrada na quinta-feira (17). Após as primeiras buscas, afirmou que estava no interior paulista participando da campanha eleitoral de um dos filhos e negou que estivesse fugindo.
“Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou.
O prazo mencionado pelo ex-vereador terminou sem que ele se apresentasse às autoridades. A Polícia Civil continuou as buscas nesta sexta-feira e chegou ao endereço em Sorocaba onde o dinheiro foi localizado.
Milton Leite foi vereador da capital paulista durante sete mandatos, entre 1997 e 2024, e presidiu a Câmara Municipal em diferentes períodos. Ele nega qualquer vínculo com o PCC e contesta as suspeitas levantadas na investigação.
Operação apura infiltração do PCC nos ônibus
A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A Justiça determinou inicialmente a prisão temporária de 16 investigados, além do cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão.
A apuração investiga suspeitas de que integrantes do PCC tenham assumido influência ou controle sobre empresas de transporte coletivo depois da obtenção de contratos públicos. Os investigadores também apuram possíveis casos de corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanhas eleitorais.
Segundo as investigações, ao menos 12 das 22 empresas que operam no sistema de transporte coletivo da capital estariam, em tese, sob influência da organização criminosa.
A decisão judicial que autorizou a prisão de Milton Leite aponta o ex-vereador como suposto “dono de fato” da Transwolff, empresa investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O ex-parlamentar nega a acusação e afirma que sua relação com o setor de transportes sempre foi institucional.
Ex-presidente da SPTrans também foi preso
Entre os alvos da operação está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, preso na quinta-feira. Os investigados submetidos à prisão temporária poderão permanecer detidos inicialmente por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado.
A defesa de Levi informou que foi surpreendida pela prisão e aguarda acesso aos autos para definir as providências jurídicas.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção realizada na Transwolff, em abril de 2024, teve como objetivo proteger o sistema municipal de transporte. A administração também lembrou que determinou intervenção na UPBus e informou que abriu procedimentos na Controladoria-Geral do Município relacionados às empresas.
Segundo a prefeitura, o município vem colaborando com o Ministério Público e a Polícia Civil e adotará medidas administrativas e judiciais caso sejam identificadas novas irregularidades.
A Câmara Municipal de São Paulo informou que acompanha os desdobramentos das investigações conduzidas pelas autoridades e aguarda a conclusão das apurações.







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